DEPRESSÃO KRISTIN
Bombeiros Voluntários de Leiria denunciam falta de apoio do Estado para reconstruir quartéis
"Disseram-nos que ficássemos descansados, que rapidamente íamos ter apoio. Até hoje"
José Almeida Lopes, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria, denunciou a falta de apoios do Estado para a reconstrução dos quartéis, que viram as suas instalações a ceder perante os ventos da Kristin.
Durante a visita do executivo municipal a alguns dos locais afectados pela tempestade, que assinalou os seis meses da intempérie, Almeida Lopes mostrava as obras já a decorrer no quartel de Leiria, erguidas “com o apoio e solidariedade dos portugueses, tanto a nível nacional como internacional”.
“Tivemos algumas empresas que comparticiparam e a Fundação Galp que, para este quartel, deu 650 mil euros, e para Monte Redondo deu 300 mil. Estamos ainda aflitos a ver de onde poderão vir os 800 mil que faltam”, relata o dirigente, ao referir que não receberam qualquer apoio estatal, seis meses também após a visita do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e da então ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
“Disseram-nos que ficássemos descansados, que rapidamente íamos ter apoio. Até hoje”.
Leia também: Passaram seis meses da tempestade Kristin. O que mudou?
A candidatura ao apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro continua sem resposta e, da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, que tutela os bombeiros, “nada”.
A obra nos Voluntários de Leiria custará cerca de 1 milhão de euros, com a de Monte Redondo a somar outros 1,1 milhões. Além de restabelecer o que voou, a corporação está a reforçar valências para “dar melhores condições aos bombeiros, nomeadamente condições sanitárias e de descanso”, afirma o presidente da associação.
A empreitada vai tornar o quartel mais resiliente para “aguentar outro tipo de ventos” e evitar consequências como as de 28 de Janeiro, onde “quase a totalidade das viaturas” ficaram inoperacionais.
“No dia 28 de manhã, começámos logo a construção. Tínhamos aqui um camião com uma grua e começámos a limpar porque, se não, teríamos de fechar o quartel. Não parámos um minuto o socorro às populações”, revela.
A estrutura metálica instalada na cobertura, detalha, está preparada para oscilar e responder a ventos fortes. “Da forma como a montagem está feita, dificilmente há rutura”, afiança.