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Documentário de Pedro Neves vence prémio do público no Doclisboa

26 out 2026 11:33

Os Continuadores da Revolução, do realizador de Leiria, é um dos filmes consagrados na edição de 2026 do festival

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Pedro Neves fundou em 2007 a produtora Red Desert
FB Curtas Vila do Conde

Pedro Neves começou a escrever Os Continuadores da Revolução, sobre a independência de Moçambique, em 2017. Agora, o documentário é consagrado no Doclisboa, nos prémios do público: venceu o Prémio RVA Legal Partners Direitos e Liberdades.

Nas redes sociais, o realizador natural de Leiria assinalou o momento sem esquecer a actualidade: “Os Continuadores da Revolução ganhou o prémio do Público Direitos e Liberdades Doclisboa, no mesmo dia em que enormes manifestações saíram à rua pelo direito à habitação e a uma vida digna”.

No documentário, com base no arquivo de imagens do fotojornalista Manuel Roberto, e em torno da história das crianças escolhidas de 1975 em diante para construir, em Moçambique, “a melhor república popular”, Pedro Neves traz “para o tempo de hoje” duas questões que orientam todo o projecto: “como é que se continua uma revolução?” e “quando é que uma revolução acaba?”.

Numa conversa anterior com o JORNAL DE LEIRIA, explica que Moçambique é o único país com uma arma automática na bandeira. No desfile de perguntas e respostas trazidas à superfície pelo filme, surgem “fantasmas moçambicanos” e “fantasmas de revoluções antigas” – incluindo, “da nossa”, a portuguesa.

Os Continuadores da Revolução é assim um dos destaques da 24ª edição do Doclisboa, que decorre até à próxima sexta-feira.

“Como se filmam espectros de memórias latentes no ar, conflitos que não desaparecem, revoluções inacabadas? Sobre a mesa de luz, examino milhares de negativos fotografados por Manuel Roberto, em Moçambique. Foram feitas durante o governo de Samora Machel, o primeiro presidente pós-independência. Nessas imagens, encontro a história de um país que tentou ser a melhor República Popular do Mundo. Dou por mim cercado por fantasmas que sussurram os ecos das revoluções portuguesa e moçambicana”, pode ler-se na sinopse.

Pedro Neves vive no Porto, onde mantém a produtora Red Desert.