Sociedade

Emigrante de Leiria nos EUA cria fundação para distribuir detectores de fogo em Portugal

24 ago 2026 17:35

Marcos Antunes passou à acção quando percebeu que, todos os anos, morrem em Portugal cerca de 40 pessoas vítimas de incêndios urbanos

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Marcos Antunes, de 50 anos, nasceu no Telheiro e emigrou para os EUA em 1989
Ricardo Graça
Maria Anabela Silva

O acompanhamento que faz da actualidade portuguesa alertou Marcos Antunes para uma “triste” estatística: todos os anos morrem em Portugal cerca de 40 pessoas vítimas de incêndios urbanos, registados, sobretudo, no Inverno.

Da constatação, este emigrante, natural de Leiria e radicado nos EUA, passou à acção.

E, em Janeiro deste ano, criou a fundação United to Live, sediada em Nova Jersey, que tem como missão distribuir gratuitamente detectores de incêndio em Portugal e sensibilizar a população para a importância destes equipamentos na prevenção de mortes neste tipo de fogo.

Os primeiros aparelhos já foram distribuídos em sessões realizadas, recentemente, na Bajouca, concelho de Leiria, e em Porto de Mós, em articulação com as juntas de freguesias, os municípios e os serviços de protecção civil.

“Em cada iniciativa entregamos cerca de 700 detectores, dando prioridade a idosos, pessoas com incapacidade e famílias com vulnerabilidades económicas”, explica Marcos Antunes, adiantando que a organização tem também em curso a missão “Proteger quem nos protege”, que visa a oferta de detectores aos bombeiros para que os instalem em suas casas.

Os Voluntários da Batalha foram a primeira corporação contemplada. Natural do Telheiro, o empresário, de 50 anos, conta que a ideia da fundação surgiu por se ter apercebido que “há muitas tragédias” em Portugal relacionadas com incêndios urbanos, nomeadamente, no Inverno.

“As pessoas recorrem a aquecedores, lareiras ou cobertores eléctricos para se aquecerem. Por vezes, demasiadas vezes, corre mal e, ano após ano, continuam a morrer dezenas de pessoas”, constata Marcos Antunes, que não tem dúvidas de que, grande parte dessas mortes, se deva à reduzida utilização de detentores de incêndio nas habitações portuguesas.

“A maioria ocorre durante a noite, quando as pessoas estão a dormir. Um aparelho destes, que custa entre 10 a 15 euros, pode fazer a diferença entre escapar a tempo ou perder a vida.”

Foi, precisamente, para responder a essa realidade que nasceu a fundação United to Live (que em português significa ‘unidos pela vida’). A aquisição dos equipamentos é financiada com donativos angariados nos EUA.

Os aparelhos são depois comprados em Portugal, junto de um fornecedor certificado pela União Europeia e, posteriormente, distribuídos, com o apoio das autarquias e bombeiros.

Segundo Marcos Antunes, a organização pretende ainda envolver instituições sociais, nomeadamente, aquelas que têm serviço de apoio ao domicilio, às quais tencionam entregar detectores de incêndio para que os possam aplicar em casa dos utentes.

A fundação quer também alargar o trabalho de sensibilização ao sector do alojamento local, para que os detectores passem a integrar o kit de segurança disponibilizado aos hóspedes.

De engenheiro electrónico a empresário Marcos Antunes nasceu no Telheiro e, aos 13 anos, mudou-se com a família para os EUA. Formou-se em engenharia electrónica e trabalhou, durante cinco anos, na indústria de semicondutores, tendo integrado um projecto de parceria entre a IMB e a Toshiba.

“Tivemos um contrato para a Playstation e fizemos chips para a Sonny”, conta.

O “bichinho dos negócios” acabou por falar mais alto. Deixou a electrónica e enveredou pela actividade empresarial. Actualmente tem uma empresa, que importa pães de leite de Espanha para os EU, dedicando-se também agora à fundação que criou e preside.