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Fontes Sonoras com Kathy Hinde no encerramento

6 out 2026 09:36

O público é convidado a experienciar uma obra cujo comportamento depende directamente do rio Lis

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A artista britânica combina som, luz, imagem, escultura e tecnologia
kathyhinde.co.uk

A apresentação na aldeia das Fontes, concelho de Leiria, está agendada para 1 de Novembro. O público é convidado a acompanhar o resultado do processo de investigação e criação e a experienciar uma obra cujo comportamento depende directamente do rio Lis e das condições encontradas nos dias anteriores.

Até lá, a artista britânica Kathy Hinde vai estar em residência, nas Fontes.

É o terceiro e último momento da temporada Fontes Sonoras em 2026.

A iniciativa da Omnichord, com curadoria de Raquel Castro e direcção artística de Gui Garrido, pretende promover a escuta e a criação sonora em diálogo com o território e a comunidade.

Acompanhando diferentes estações – Inverno, Primavera e Outono –, o Fontes Sonoras convida artistas a explorar o som como ferramenta de leitura da paisagem, da ecologia e das relações entre humano e ambiente.

Quem é Kathy Hinde

Kathy Hinde é uma artista audiovisual cuja prática combina som, luz, imagem, escultura e tecnologia, e que se inspira em comportamentos e fenómenos encontrados na natureza e na vida quotidiana, avança a Omnichord. As suas obras desenvolvem-se frequentemente através da criação de sistemas e dispositivos que respondem a processos naturais, explorando relações entre humanos, outras espécies, tecnologia e ambiente.

Ao longo do seu percurso, tem desenvolvido um corpo de trabalho fortemente ligado à água e aos sistemas ecológicos. Em obras como "Water Balance", "Tipping Point", "River Traces", "River Echoes" e "Submerge".

Tem-se apresentado internacionalmente em festivais, instituições e espaços dedicados à arte contemporânea, música experimental e práticas interdisciplinares. Em 2015, "Tipping Point" recebeu uma Menção Honrosa do Prix Ars Electronica, na categoria Digital Musics & Sound Art.

O que vai acontecer nas Fontes

Ainda segundo a Omnichord, durante uma semana Kathy Hinde irá trabalhar em estreita relação com o rio Lis, elemento central da paisagem da aldeia das Fontes, para desenvolver uma nova versão site-specific de "Water Balance", escultura sonora cinética criada originalmente em 2019 e agora repensada a partir das condições particulares do rio e da paisagem envolvente.

Inspirada no shishi-odoshi, dispositivo tradicional japonês em que a água enche progressivamente um recipiente basculante até provocar o seu movimento, a obra transforma o fluxo da água num mecanismo de composição. Uma série de recipientes enche-se lentamente até atingir um ponto de desequilíbrio, inclinando-se então para libertar a água e fazer ressoar diferentes objetos. Cada recipiente volta depois à posição inicial e o processo recomeça.

No rio Lis, será assim a própria água a determinar o ritmo da obra. Os diferentes tempos de enchimento e esvaziamento dos recipientes dão origem a uma composição sonora continuamente variável, construída por ciclos que se cruzam, se afastam e voltam a coincidir. Em vez de obedecer a uma temporalidade previamente definida, a instalação deixa-se conduzir pelas condições do lugar: pelo caudal, pela velocidade da água e pelas pequenas oscilações que atravessam o rio.

“A obra propõe, deste modo, uma forma de escutar o comportamento da água. Ao tornar audíveis as variações do seu fluxo, chama também a atenção para um sistema natural em permanente transformação e para as alterações dos níveis da água ao longo do ano. O rio deixa de funcionar apenas como contexto ou paisagem da obra para se tornar simultaneamente matéria, energia e agente da composição”, é referido na nota de divulgação.

Terceiro episódio de 2026

Nesta segunda edição do Fontes Sonoras, participaram também Gil Delindro (em Março) e Matilde Meireles (em Abril).

Em 2025, o projecto levou às Fontes o austríaco Andreas Trobollowitsch e as duplas Inês Tartaruga Água e Xavier Paes e Rie Nakajima e Pierre Berthet.