Economia
Inovar com supervisão, porque a IA não dispensa quem decide
Na edição deste ano da Linka-te | IT Conference, falou-se de novas tecnologias e métodos, que têm o potencial de acelerar processos, e que os podem transformar radicalmente
Realizada na semana passada, a Linka-te | IT Conference reuniu 250 líderes empresariais, especialistas de tecnologias de informação e estudantes para debater inteligência artificial, cibersegurança e liderança.
No Teatro Miguel Franco e no Mercado Sant’Ana, em Leiria, durante o evento organizado pela empresa de Leiria HLink falou-se dos caminhos e, em especial dos desafios que se colocam às empresas com a chegada de novas tecnologias e métodos, que têm o potencial de acelerar processos, mas também que podem transformar radicalmente o local de trabalho.
No painel dedicado ao Talento Feminino em Tech, Liliana Pereira, da Coverflex, avisou que a geração de código por IA exige pensamento crítico e aconselhou os presentes a usarem esta ferramenta como complemento.
“Quando entregamos código e o pomos em produção, é o nosso nome que lá está”, sublinhou.
Já Zuzana Fabianová, da Wondercom, afirmou que o crescimento das empresas exige diálogo constante com os stakeholders.
“Não conseguíamos evoluir se não cultivássemos a filosofia da proximidade e da escuta activa.”
A responsável acrescentou que a meta deve passar por transformar os colaboradores em novos líderes.
Por fim, Elsa Lemos, da CIWA, centrou-se na preparação perante crises cibernéticas.
“Preparação, prevenção, para sabermos realmente quando surge um momento crítico o que fazer e o que dizer”, afirmou.
Pouco depois, no painel sobre prioridades dos executivos, Alexandre Carmanhani, do Mahle Group, defendeu que a urgência de inovar não pode sobrepor-se às fundações da organização.
“A nossa perspectiva é olhar para aquilo que envolve o compliance legal com segurança, com as pessoas, com as regras do trabalho e com o ambiente”, afirmou.
Acrescentou que “nenhuma empresa vai suceder na digitalização ou na IA” se não cumprir os quadros legais.
Já Raúl Oliveira, da Ipbrick, rejeitou as modas tecnológicas. “A prioridade número um é sempre o cliente”, disse, acrescentando que a IA deve resolver problemas concretos, como a gestão documental e o atendimento sem perda de chamadas, reservando operações mais complexas para os decisores.
No mesmo painel, Pedro Castro Henriques, CEO da Strongstep, alertou para os riscos da inovação sem metas claras. “A inovação não pode ser lírica e temos de garantir que não estamos a usar sistemas de alto risco e que há supervisão humana”, defendeu.
A edição ficou marcada pela estreia do Linka.Lab, com seis sessões esgotadas sobre IA, cibersegurança e vertente humana. Houve ainda demonstrações com um robô, e o networking foi um dos momentos centrais no programa.
“Esta edição voltou a mostrar-nos o valor de reunir pessoas com experiências diferentes para discutir desafios diários das empresas. A adesão ao Linka.Lab confirmou que existe procura por conhecimento prático”, analisa Emanuel Duarte, CEO da HLink. A próxima Linka-te realizar-se-á em Outubro de 2027, com um reforço da ligação ao tecido empresarial.