Sociedade
Mau tempo: Leiria com despesa extraordinária de 9,3 ME na recolha de resíduos
Já foram recolhidas quase 12 mil toneladas de resíduos em 37 parques de resíduos localizados nas freguesias
O Município de Leiria registou até agora uma despesa extraordinária de 9,3 milhões de euros com a recolha e encaminhamento de resíduos devido ao mau tempo que atingiu gravemente o concelho há nove meses, disse o presidente da Câmara.
À agência Lusa, Gonçalo Lopes afirmou que o montante, 9,3 milhões de euros sem IVA, se prende, sobretudo, com o “aumento do processo de recolha de lixos”, referindo que “houve um aumento da facturação”, nomeadamente nos meses que se seguiram à depressão Kristin, em 28 de Janeiro.
Gonçalo Lopes assinalou, por exemplo, a “despesa extraordinária na área do amianto, uma vez que muitos dos anexos, de telhados, de antigos pavilhões foram todos retirados ou destruídos com o vendaval”, notando que esta é uma despesa não elegível no âmbito do Fundo de Emergência Municipal.
À semelhança de outros territórios atingidos por tempestades, a despesa com a limpeza e organização do espaço é “extremamente elevada”, declarou o presidente da Câmara de Leira, admitindo que, embora a despesa maior nesta área já tenha ocorrido, o concelho continua a “ter algumas casas que ainda estão a ser reconstruídas e, portanto, a retirar ainda muito material que está destruído”.
Por outro lado, há também locais de deposição de resíduos que estão a ser desmantelados, adiantou.
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“Estão praticamente todos desmantelados, mas ainda existe muita obra de reconstrução de onde resultará resíduos”, reconheceu.
O presidente do município ressalvou que no montante já despendido pela autarquia não está incluída a floresta, sendo que neste caso a “operação de limpeza é outra”.
Segundo dados da Câmara de Leiria enviados à Lusa, já foram recolhidas quase 12 mil toneladas de resíduos em 37 parques de resíduos localizados nas freguesias e 1.442 toneladas “em 1.251 pontos de recolha na via pública e porta-a-porta”.
Acrescem 1.977 toneladas de materiais contendo amianto e 848 toneladas de resíduos não urbanos nos pontos de recolha.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.