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M|i|mo. A caminho dos 30 anos, há uma viagem visual e afectiva na memória do Estúdio Fabião
A reabertura está agendada para o próximo fim-de-semana
Com novas histórias para contar e um núcleo expositivo dedicado ao fotógrafo José Fabião, o m|i|mo, em Leiria, reabre no sábado, 6 de Junho, após mais de quatro meses encerrado devido aos estragos provocados pela tempestade Kristin.
No reencontro com o público, a principal novidade anunciada pelo Museu da Imagem em Movimento é a inauguração, pelas 16 horas, da área “Estúdio Fabião – uma memória colectiva”, que recorda a actividade da família em Leiria, a documentar rostos, lugares, acontecimentos e, ao longo de décadas, a transformação do tecido urbano e da comunidade que o habita.
Depois de se estabelecer em 1939 no Bairro dos Anjos, José Fabião (1920-2017) contou com a ajuda dos filhos, Paulo e Francisco, para construir um legado de 68 anos que só fechou portas em 2007, já na Praça Rodrigues Lobo.
Várias gerações posaram para os icónicos momentos tipo passe, mas o arquivo de José Fabião, que foi correspondente dos jornais Primeiro de Janeiro, O Século, Record e Diário de Notícias, abrange uma grande variedade de temas: do comércio e indústria aos acidentes de viação, dos casamentos e recitais aos jogos de futebol, da paisagem ao turismo.
Como repórter, fotografou as visitas do general Franco, do imperador da Etiópia e do Papa Paulo VI.
A coordenadora do m|i|mo considera-o “um fotógrafo fundamental” para a cidade. “Uma pessoa carismática. Muita gente se lembra de ir tirar o retrato ao Fabião e às vezes ser uma experiência intensa porque ele queria um retrato perfeito e era exigente”, diz Catarina Mateus, que contou com o apoio de Sara Fabião [neta] na escolha das três dezenas de fotografias agora expostas, em que se destacam a abertura do Teatro José Lúcio da Silva e o 1.º de Maio de 1974.
“Achámos que era importante envolver a família, até porque estas fotografias pertencem à família”, explica Catarina Mateus. São mais de 250 mil imagens, sobretudo negativos, na posse do m|i|mo. Quase 2 mil estão digitalizadas e em base de dados.
“Estúdio Fabião” representa uma viagem visual e afectiva que convida a reconhecer a identidade de Leiria. Inclui a recriação do estúdio, um laboratório, máquinas antigas, materiais e equipamentos, e um televisor que reproduz outras fotografias do acervo. Estão previstas visitas guiadas, adianta Catarina Mateus, que espera conseguir mais financiamento para o projecto. “Vai permitir, se calhar, encontrar soluções para aquilo que se pretende, que é ter mais fotografia digitalizada e mais disponível”.
A caminho dos 30 anos, que se assinalam em Dezembro, o m|i|mo abre pela primeira vez no sábado, também pelas 16 horas, um segundo núcleo expositivo, sobre a técnica de animação em stop motion, com adereços e cenários do filme Forbidden Room – O Quarto Proibido, de 2014, da autoria dos leirienses Emanuel Nevado e Ricardo Almeida. A curta-metragem para adultos, que se inspira no conto Barba Azul, de Charles Perrault, passa a estar em exibição no Museu da Imagem em Movimento a partir do próximo fim-de-semana.
Ainda no sábado, é inaugurada a exposição Sobre o silêncio, com fotografias de António Bracons. E continua a ser possível visitar a exposição A luz do meu lugar, de Jorge Bacelar.
Segundo dados do Município de Leiria, o m|i|mo recebeu 15.061 visitantes em 2024 e 14.254 no ano passado.