Sociedade

No Brejo de Água falta quase tudo. Mesmo água

8 out 2026 11:35

Saneamento básico é outro problema apontado pelos moradores desta localidade na Moita

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Daniela Franco Sousa
Daniela Franco Sousa

À porta de Kevin Fernandes está parado o carro do canalizador, que é já presença habitual nesta casa localizada no Brejo de Água, na Moita. O morador desta localidade na Marinha Grande é um dos residentes que vai somando prejuízos devido à falta de água da rede.

As necessidades ao nível das infra- estruturas públicas são muitas e, queixa-se a população, vão desde a falta de água, de saneamento básico, de asfalto, até iluminação deficiente.

Morador neste lugar há sete anos, Kevin Fernandes diz que, devido à falta de água da companhia, já gastou, sem contar com o investimento num furo de captação, cerca de 15 mil euros em manutenção e reparações de bombas de calor, de painéis solares e substituição de bomba de captação de água. Porque aquela que sai do furo é muito corrosiva e danifica os equipamentos.

“Tenho terreno em frente a casa, onde queria investir na construção de quatro habitações, mas sem infra-estruturas é difícil.”

Daniela Patrícia, vizinha, partilha o desânimo. Quando se mudou para o Brejo de Água, em 2022, tinha em mente que ainda não havia água nem saneamento básico. “Acho que enquanto não nos organizarmos todos para mostrar que ainda somos bastantes e que temos direitos, não vamos ter resposta positiva”.

Pelas contas de Gonçalo Eastwood, morador na Rua da Guarda da Sapinha, no total, o Brejo de Água terá 40 casas, todas elas dependentes de furo de captação de água e sem saneamento. “É uma zona próxima de praias, de luxo e que não é valorizada”, mesmo quando tem pelo menos duas empresas dinâmicas, aponta o morador, para quem a localidade foi “esquecida”.

A vizinha, Marisa Pires, adquiriu uma segunda habitação com o objectivo de a converter em alojamento local. Volvidos seis anos, deixou de acreditar que seja viável.“Não temos água da rede, nem saneamento e a rua é esburacada”.

Filipe Branco gere uma empresa que compra e vende depósitos em PVC, actividade que consome muita água em lavagens. “Temos equipamento de 12 mil euros para purificar a água, mas nem isso resolve o problema, porque a água captada pelo furo não tem qualidade. Tem muito ferro”, relata o empresário.

“Estamos instalados aqui há seis ou sete anos e já pedimos infra-estruturas na câmara. O saneamento parou a 300 metros da empresa. Explicam que há uma inclinação, que é preciso criar um sistema de bombeamento e que é complicado porque as casas estão isoladas umas das outras”, contextualiza.

Acrescenta ainda que a iluminação pública, que era escassa, piorou com a passagem da Kristin, com postes que continuam caídos.

Ao JORNAL DE LEIRIA, Franclim Ventura, presidente da Junta da Moita, admitiu que, neste lugar, “a conclusão da rede de saneamento básico é um imperativo urgente, que não pode ser mais adiado, assim como o abastecimento de água”.

O assunto foi também apontado em Assembleia Municipal. Paulo Vicente, presidente da autarquia, tomou nota da contestação, mas informou que “não há previsão” para a intervenção.