Sociedade

Obra ilegal em Monte Redondo avança em desrespeito a embargo

17 jul 2026 12:30

Em causa está a intervenção em linhas de água, que foram enterradas e emanilhadas, e a alteração de terreno, com recurso a aterro

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Trabalhos prosseguem, apesar de embargados pela câmara
DR
Maria Anabela Silva

A Câmara de Leiria embargou as obras em curso num empreendimento turístico em Fonte Cova, freguesia de Monte Redondo, em área de Reserva Ecológica e Agrícola Nacional. Em causa está a intervenção em linhas de água, que foram enterradas e emanilhadas, e a alteração de terreno, com recurso a aterro. Os trabalhos, feitos sem licença, prosseguiram após o embargo.

O caso já foi comunicado à Agência Portuguesa do Ambiente e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e participado à GNR, que esteve no local, mais do que uma vez. A última, aconteceu na passada sexta-feira. “Nesse dia, os trabalhos pararam, mas, no fim-de-semana, retomaram a toda a velocidade”, denuncia uma moradora, que se manifesta preocupada, sobretudo, com as linhas de água, que estão a ser “ecologicamente destruídas”. A preocupação é partilhada pela presidente da Junta, Ana Carla Gomes.

“Os terrenos são privados, mas as linhas de água são públicas. Não se poder intervir sem autorização”, alega a a autarca, que refere também estragos nas estradas provocados pela movimentação de camiões, que têm transportado terra para aterrar o vale.

Segundo o JORNAL DE LEIRIA apurou, o promotor da obra é o proprietário do Rural Natura, empreendimento já existente, que, entretanto, comprou terrenos à volta, com o objectivo de alargar a oferta turística. “Não estamos contra o empreendimento e não pomos em causa a sua importância para a freguesia, mas há leis a cumprir”, afirma a presidente da Junta.

O assunto foi abordado na última reunião de câmara, com o vereador do PSD João Curado a dar eco das preocupações dos moradores “relativamente aos trabalhos de encanamento e de alteração do leito de uma ribeira, no lugar das Cavadas”. Reconhecendo que a câmara “fez o que devia fazer”, o autarca disse temer que já não seja possível “reverter” as alterações entretanto efectuadas no terreno.

Segundo o vereador Luís Lopes, após o desrespeito do embargo, a GNR foi novamente ao local e decorre neste momento a tramitação do processo para levantamento de auto de notícia e de contra-ordenação. Carlos Tavares, o promotor, escusou- se a prestar declarações, alegando que “o assunto não merece conversa”.