Sociedade

Operação da PJ que deteve médica suspeita de receber dinheiro para viabilizar reformas passou por Leiria

1 jul 2026 16:03

Foram detidas quatro pessoas e constituídos nove arguidos numa investigação de fraude contra a Segurança Social

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Redacção/Agência Lusa

A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje uma médica de Benavente, no distrito de Santarém, suspeita de ter recebido verbas indevidas para viabilizar reformas por invalidez, confirmou à Lusa fonte da força policial.

O alegado esquema em que a médica cobraria cerca de mil euros para viabilizar processos de reforma por invalidez, conseguindo que dezenas de trabalhadores se reformassem por invalidez numa empresa pública, foi revelado em Abril pela SIC.

De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária (PJ), foram detidas quatro pessoas e constituídos nove arguidos na Operação ‘Relax’, que investiga uma fraude contra a Segurança Social, que terá lesado o erário público em centenas de milhares de euros, segundo a investigação.

A PJ adiantou que, “através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, realizou, hoje, uma operação policial, nos distritos de Lisboa, Santarém e Leiria, para cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão, incluindo três consultórios médicos, tendo sido detidos quatro suspeitos, entre os quais três profissionais de saúde, fortemente indiciados pela prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, falsificação de documento qualificada, fraude contra a Segurança Social qualificada e burla qualificada”.

Segundo o comunicado, os factos em investigação aconteceram entre 2020 e o momento presente, “existindo fortes suspeitas de que um grupo alargado de pessoas, incluindo profissionais de saúde, tenha participado na execução de um plano criminoso, através do qual conseguiram que a Segurança Social viesse a atribuir indevidamente, a inúmeros beneficiários, prestações sociais relativas a pensões de invalidez e pensões por doença profissional.

Os quatro detidos serão ouvidos em primeiro interrogatório judicial no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para aplicação de medidas de coacção.

As buscas foram realizadas por 88 inspectores, 11 especialistas da polícia científica e acompanhadas por quatro juízes de instrução criminal e 10 procuradores do Ministério Público.

O inquérito é liderado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e encontra-se sujeito a segredo de justiça, adiantou o Ministério Público em nota publicada na sua página oficial.

A Investigação SIC, que revelou o caso em investigação, teve conhecimento que nos últimos anos dezenas de trabalhadores da Carris recorreram à médica de Benavente hoje detida.

Contactada pela SIC, a empresa revela que efectivamente identificou "crescimento continuado e aparentemente anómalo nos processos de reforma por invalidez" e que, por isso, apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público.

A Ordem dos Médicos abriu, na altura, um inquérito à médica, por estarem em causa "alegadas práticas gravemente lesivas da ética e da deontologia médica".