Sociedade
Oposição apreensiva perante não colocação de médicos de família em Alcobaça
Vereador socialista pede reflexão sobre incapacidade do concelho para atrair clínicos
Depois de saber que foram celebrados 32 contratos de trabalho entre a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL) e médicos recém-especialistas em Medicina Geral e Familiar e que nenhum dos médicos escolheu exercer funções em Alcobaça, Diogo Ramalho, vereador do PS, considera que a situação merece "reflexão séria".
"Questionámos o executivo municipal com pelouros sobre a distribuição destes profissionais pelas unidades de saúde da ULSRL. Da resposta obtida resultou um dado particularmente preocupante: nenhum dos médicos escolheu exercer funções no concelho de Alcobaça, contrariando a perceção que algumas notícias anteriormente difundidas até então poderiam ter criado. Este é um facto que merece uma reflexão séria"., defende o autarca em nota de imprensa.
"Alcobaça é o segundo concelho mais populoso da área de influência da ULSRL e continua a debater-se com dificuldades persistentes na fixação de profissionais de saúde. A incapacidade de atrair novos médicos constitui um sinal inequívoco de que o concelho não está a oferecer condições suficientemente competitivas para captar e reter estes profissionais", prossegue Diogo Ramalho.
"Infelizmente, esta realidade não surge isolada e não nos surpreende, apenas nos entristece. A Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) Litoral, que serve as populações de Alfeizerão e São Martinho do Porto, continua a apresentar constrangimentos no seu funcionamento, sem que exista uma perspectiva concreta para a sua transformação em Unidade de Saúde Familiar (USF). Essa evolução permitiria um modelo organizativo mais moderno, assente em objectivos contratualizados, equipas mais estáveis, maior autonomia de gestão e um sistema remuneratório que valoriza o desempenho e os resultados, traduzindo-se, regra geral, numa maior capacidade de atracção e fixação de profissionais", considera o vereador.
"Também ao nível das infra-estruturas, os atrasos acumulam-se", expõe o socialista.
"A extensão de saúde da Cela permanece encerrada, apesar das obras de reabilitação, há muito prometidas, ainda estarem em curso. O procedimento para a reabilitação, alteração e ampliação do Centro de Saúde de Aljubarrota continua sem adjudicação, apesar de a abertura do concurso de conceção e construção ter sido deliberada pela Câmara Municipal há mais de um ano, em 22 de Abril de 2025", exemplifica.
Quanto ao novo Centro de Saúde de Alcobaça, "embora exista já projecto elaborado, continuam por concluir os estudos necessários ao lançamento da empreitada, tendo sido inscrita no Orçamento Municipal para 2026 apenas uma verba simbólica de 5 mil euros", refere o veredaor.
"Situação semelhante verifica-se relativamente ao novo Centro de Saúde de Pataias, cuja concretização continua sem calendário conhecido, apesar das reconhecidas limitações das actuais instalações", aponta ainda.
O Partido Socialista considera que "a melhoria dos cuidados de saúde exige uma actuação articulada entre a Administração Central, a Unidade Local de Saúde e o Município. Todavia, o Município não pode demitir-se das suas responsabilidades na criação de condições que reforcem a atratividade do concelho para os profissionais de saúde", defende o autarca.
"É possível e desejável desenvolver uma estratégia municipal de incentivo à fixação de médicos, através da reconversão de património municipal em casa de função, e incentivos à instalação que facilitem a integração familiar, como vagas dedicas em creches e jardins-de-infância para os filhos destes profissionais, em estreita articulação com a ULSRL e o Ministério da Saúde", recomenda o vereador.