Sociedade

“Para realizar projectos era necessário que a junta tivesse mais competências”

2 ago 2026 12:00

Presidente da Junta da Marinha Grande aponta como grandes preocupações a desflorestação da freguesia e a “inoperância” do governo central nos apoios pós-Kristin

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Isabel Freitas
Ricardo Graça

Quais as suas principais preocupações enquanto autarca?
As minhas preocupações enquanto autarca e ser humano são inúmeras. Debato-me principalmente em dar resposta a todos os cidadãos porque, apesar das funções e competências atribuídas a um presidente de junta, a comunicação deve ser primordial e estabelecida para solucionar todos os problemas da freguesia. Face às catástrofes naturais que têm assolado a nossa cidade, como incêndio de 2017, tempestade Leslie e agora a tempestade Kristim, preocupa-me a inoperância do governo central nos apoios para reerguer esta cidade e a população, que tão atormentada tem sido. Na temática ambiental as minhas preocupações estão centralizadas na desflorestação que deixou a nossa freguesia desprotegida, causando impactos negativos na saúde publica.

Que visão tem para o futuro da freguesia e o que gostaria de alcançar durante o seu mandato?
Anseio uma freguesia mais digna, com qualidade de vida. A junta é um órgão com competências muito especificas e limitadas, de grande proximidade com a população. Por isso, temos em mãos alguns projectos culturais e planos de resposta para uma freguesia mais próspera limpa e apelativa. Neste momento debatemo-nos com uma dificuldade maior, que ambicionamos resolver: a celeridade e um trabalho mais profícuo na deservagem de vias e passeios. O nosso trabalho tem sido árduo a dar resposta, mas os procedimentos de contratação são deveras exigentes, para além das limitações orçamentais e das condições climatéricas que influenciam a proliferação de ervas daninhas o que sobrecarrega os trabalhos diários dos operacionais. Desejo que esta competência seja levada a cabo com sucesso e eficazmente.

Se tivesse orçamento ilimitado para um projecto, qual seria?
Esta é uma questão muito pertinente, mas para realizar projectos era necessário que a junta tivesse mais competências descentralizadas. Estarmos na sede de concelho condiciona-nos. Mas, se nos é permitido sonhar, gostaria de ter mais serviços sociais no nosso espaço cidadão para mitigar as necessidades da nossa população, criar um centro da juventude e de idosos, para dar resposta à solidão e carências, dotar o movimento associativo de recursos… Seriam projectos infinitos em prol da população.

Imagine que a sua freguesia é um livro. Que título ou que livro escolhia?
A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. Espelha a ambição de um menino com grande determinação, que corre várias vezes até um rio distante, enche as mãos em concha e leva água à flor. Graças ao seu esforço persistente, a flor ganha nova vida. Assim, farei pela minha freguesia.

Se pudesse convidar uma figura histórica ou celebridade para ser Presidente Honorário da Junta por um dia, quem seria e porquê?
Actualmente escolheria Luís Montenegro, para que reconhecesse as dificuldades reais com que as juntas de freguesia se debatem para ajudar a resolver os graves problemas sociais e económicos que a população vive. Talvez lhe permitisse ter noção da realidade do trabalho autárquico, do que realmente importa debater e concretizar. No meu entender, falta aos nossos governantes sensibilidade para experienciar esta proximidade que um presidente de junta tem, porque é no terreno e no contacto que se vive, de facto, todas as problemáticas do povo.

Indique três locais imperdíveis na sua freguesia.
A praia de São Pedro de Moel, o Farol do Penedo da Saudade e o Museu do Vidro.