Sociedade

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 out 2026 10:14

O leito do rio está a ser desobstruído depois do mau tempo do início do ano. Não haverá comportas no Arunca porque se criaria um espelho de água estagnada cheia de algas verdes

rio-arunca-junto-a-pombal-nao-tera-acude
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca
Foto: JSD

Decorrem trabalhos de desobstrução e regularização do leito e das margens no corredor urbano do rio Arunca, na sequência das intempéries do início do ano.

A meta é melhorar o escoamento das águas superficiais e reduzir a obstrução, para prevenir cheias, informa a autarquia em nota.

Está a ser removido o lixo e os sedimentos acumulados na zona central do leito, cortada a vegetação, de forma selectiva, e aplicadas podas de formação e desrama em exemplares escolhidos nas margens, onde a vegetação ripícola autóctone é para conservar.

JORNAL DE LEIRIANewsletter Primeira PáginaFique a par do essencialSubscrever

Porque não há comportas no rio?

Segundo o documento divulgado pelo município, não colocar comportas no Arunca tem sido a opção dos últimos anos, assumida com base "em evidência científica e no alinhamento com a estratégia de renaturalização".

Caso fossem instaladas, as barreiras criariam um espelho de água artificial, mas favoreceriam a estagnação, potenciando a eutrofização já observada antes no rio. Esse processo consiste no aumento de nutrientes na água, que estimula o crescimento excessivo de algas e o aparecimento de cianobactérias, podendo levar à morte de peixes por asfixia e ao desaparecimento de espécies.

Ainda de acordo com a mesma nota, a decisão enquadra-se num trabalho que dura há anos.

ntre 2024 e 2025, o município interveio em cerca de 30,5 quilómetros, desde Albergaria dos Doze até ao limite com o concelho de Soure, incluindo o troço final do rio Cabrunca.

A intervenção custou 520 mil euros, financiados pelo Fundo Ambiental, abrangeu 97 hectares e levou à plantação de 15.690 árvores e arbustos autóctones. Na galeria ripícola do Arunca aponta-se a presença de espécies como o salgueiro, o amieiro, o freixo e o carvalho.

As plantas autóctones filtram a água, removendo poluentes e excesso de nutrientes, e dão sombra ao leito, o que mantém a temperatura mais baixa, reduz a evaporação e dificulta o desenvolvimento de algas. Já outras espécies que crescem no leito, como a tábua-larga e o lírio-amarelo-dos-pântanos, absorvem metais pesados.

O resultado tem sido medido pela ocorrência de espécies de animais protegidos como a lontra, o goraz, o guarda-rios e o borrelho-pequeno-de-coleira, sensíveis à qualidade do habitat, indicadora de melhoria, acredita a autarquia.

Entre 2022 e 2024, o Arunca passou por um processo de regeneração natural. Este ano está a ser aplicado um plano de gestão activa, que será actualizado todos os anos, com limpezas e podas selectivas feitas de preferência no Outono, controlo de vegetação invasora e monitorização das linhas de água.

As operações decorrem do Plano Estratégico de Reabilitação das Linhas de Água, o PERLA, que caracteriza o estado de todos os cursos de água do concelho e propõe um plano de acção.

Leia mais: Pombal quer reabilitar o rio Arunca para devolver o curso de água às pessoas

Pombal tem 2.025 quilómetros de linhas de água, dos quais 278 na rede hidrográfica principal, e o plano aponta para um investimento global de 21 milhões de euros ao longo de 16 anos, que o município não irá assumir integralmente.