Opinião
As notícias que me fizeram esquecer o resto
Li ainda no New York Post que investigadores em Oxford desenvolveram um medicamento projectado para impedir que as células cancerígenas se escondam do sistema imunológico
Li primeiro no Guardian on-line.
Entre o campeonato do mundo de futebol, os enredos da política nacional e a guerra no mundo que Putin, Trump e Netanyahu se encarregam de incendiar, pensei mesmo que a notícia iria passar despercebida. E estava a começar a minha crónica por aí. Felizmente enganei-me.
Primeiro o Observador, depois o Expresso e a SIC deram grande relevo às novas descobertas na luta contra o cancro, dadas a conhecer num congresso de especialistas em Chicago.
Médicos e investigadores, da Johnson & Johnson testam uma injecção (a Amivantanab) que, para já, tem permitido remissões totais de cancro de pescoço e cabeça e algumas metástases deles decorrentes, em mais de 30%.
Tratamento que está a ser experimentado também em Portugal. Estes resultados foram apresentados em Chicago, no passado domingo, dia 1 de Junho, no encontro anual da ASCO (American Society of Clinical Oncology).
E ainda outro: o de um medicamento que tem proporcionado resultados muito positivos no aumento de sobrevivência dos doentes com cancro do pâncreas e que mereceu uma inesperada, entusiástica e emotiva ovação dos milhares de especialistas presentes na grande sala do congresso.
Li ainda no New York Post que investigadores em Oxford desenvolveram um medicamento projectado para impedir que as células cancerígenas se escondam do sistema imunológico, permitindo que os tratamentos de imunoterapia as identifiquem e destruam.
Cerca de 1/3 dos pacientes em experimentação viram os seus tumores reduzidos também nalguns casos em cerca de 30%. E falamos de diferentes tumores como o do colo do útero, da bexiga, do fígado, do intestino, do pulmão. E depois li também on-line, no New York Post, que pacientes com Alzheimer recuperaram progressivamente a fala, a continência e a memória após a toma de uma única dose de 5 gramas de um alucinogénio experimental, feito a partir de um cogumelo.
Por momentos senti-me confortado com o que de melhor pode ter a Humanidade. Como o nosso mundo poderia ser diferente, noutras circunstâncias!
Mas como não ver as alterações climáticas, a situação geopolítica, os choques sociais iminentes que as desigualdades estão a potenciar. (Porque a pobreza endémica de muitos, de um lado, a riqueza ostentatória de alguns, por outro lado, não auguram um bom desfecho).
Imaginem só: estas descobertas científicas, que parecem suceder-se a um ritmo entusiasmante, deixaram-me tão alentado que por alguns dias deixei de pensar na selecção nacional e nos 41 anos do Ronaldo e na novela do José Mourinho…