Opinião
Biofertilizantes e bioestimulantes: a alternativa sustentável para a agricultura
Os biofertilizantes e os bioestimulantes, ambos de origem biológica, têm um elevado potencial de aumentar a produtividade, reduzindo simultaneamente a utilização dos químicos
O crescimento da população impulsiona a utilização de substâncias que aumentem a produção agrícola, sendo os fertilizantes um dos recursos mais utilizados. Estes fornecem às plantas os nutrientes essenciais para o seu crescimento.
No atual estado de arte, dominam os fertilizantes químicos, devido à sua rápida atuação e boa relação custo-eficácia. Apesar do seu benefício imediato, o uso prolongado causa impactes ambientais, causando a poluição do solo e da água, devido à lixiviação de substâncias perigosas ou acidificação do solo, que leva à perda de minerais.
O uso excessivo compromete também as condições ótimas para a manutenção do microbioma do solo, essencial para a fertilidade do solo e para o fornecimento de nutrientes vitais às plantas.
Além disso, o conflito do Irão veio alertar para a dependência externa dos fertilizantes, cujos preços sofreram aumentos superior a 50 %. Neste setor, importa olhar para alternativas que possam competir com os fertilizantes químicos e que possam ser produzidas em larga escala em Portugal, de modo a satisfazer as necessidades dos produtores.
Os fertilizantes orgânicos, como estrumes, compostos, resíduos vegetais ou minerais, constituem uma das abordagens mais conhecidas. Já os biofertilizantes e os bioestimulantes, ambos de origem biológica, têm um elevado potencial de aumentar a produtividade, reduzindo simultaneamente a utilização de químicos e o impacto ambiental da atividade agrícola.
Os biofertilizantes contêm microrganismos vivos (bactérias, fungos) ou substâncias bioativas que, ao serem aplicados, otimizam a eficiência de absorção da planta. Entre os mais conhecidos no mercado encontram-se os microrganismos fixadores de azoto, nomeadamente os rizóbios.
Por usa vez, os bioestimulantes são aplicados a plantas, sementes ou solo para melhorar a saúde e o desenvolvimento das culturas. O seu objetivo é estimular os processos fisiológicos naturais, aumentando o uso eficiente de nutrientes e a tolerância à seca, ao calor ou à salinidade. As vantagens destes produtos estão comprovadas, podendo a redução no uso de pesticidas e fungicidas alcançar os 40%.
Todavia, o preço continua a ser um entrave, o que remete para a necessidade de otimizar o seu processo de fabrico e de recorrer a instrumentos económicos que apoiem a sua adoção pelos agricultores, aumentando a resiliência nacional face às importações.