Opinião
Inqualificável
São poucas as garantias que temos. Passámos agora a ter menos uma. Nós e a geração vindoura. Que se vai olhar nos olhos, sem saber se é o que devia ser, ou se ficou aquém ou além desse ser.
São poucas as garantias que temos. Num mundo em permanente mudança, e consequentes ajustes, mais ou menos felizes, a essa mudança, precisamos do garante que os processos base da nossa sociedade, dos nossos valores societais, são estáveis e robustos.
O acesso ao ensino superior é um deles. Com naturais mudanças ao longo do tempo. Das provas de acesso, do seu peso relativo, doutros pormenores/pormaiores. Mas confiável. Crível.
Chegada a hora de o adaptar aos tempos atuais, a confiança no processo não podia ter sido abalada como foi. Duma forma inqualificável. Porque não consigo, de facto, encontrar palavras para qualificar o que aconteceu a um processo que deveria ser garante de equidade. Relativa, é certo, mas com um momento que o era minimamente. Os exames e a sua avaliação... Também com falhas, também com erros. Porque os há sempre. Mas corrigidos atempadamente.
Agora, dizer que a reapreciação pedida por quem achasse que a nota que lhe foi atribuída não era a correta, ou a criação de mais uma época de exames, em calendários absurdos, após a colocação dos alunos nos cursos superiores, é bastante para corrigir este deturpe gigante? Não!
Não porque todos ouvimos, para além das histórias dos exames digitalizados com caligrafias distintas a serem impositivamente classificados, também as histórias daquele alguém que nem metade do exame fez duma qualquer disciplina e viu na pauta um 19 inscrito à frente do seu nome… Terá esse alguém pedido a reapreciação da sua prova? Num mundo perfeito, sim. No mundo real? “Saiu-lhe a sorte grande”, dizem(os). Mas e “a terminação” que saiu a outro alguém? Onde ficou a sua sorte? Num processo em que as vagas são limitadas e que, por isso, pode ter ficado a um lugar de entrar no seu curso de sonho? Talvez ocupado por um 19 artificial? Inqualificável! Total e completamente inqualificável!
Começam agora as aulas deste novo ano letivo no ensino superior. Desejo as maiores felicidades a todos os seus novos alunos. Mas o que dizer a todos aqueles que ficaram por o ser? temos. Passámos agora a ter menos uma. Nós e a geração vindoura. Que se vai olhar nos olhos, sem saber se é o que devia ser, ou se ficou aqSão poucas as garantias queuém ou além desse ser. Este ano e os próximos. Porque se nada for feito, se não se reavaliarem todos estes exames, o erro perpetuar-se-á. E os olhos das novas gerações vão ficar mais vazios. Porque o garante que mereciam, e que tínhamos obrigação de lhes dar, caiu por terra. E por lá ficou.