Sociedade
Leiria: Adlei defende plano de mobilidade inclusivo
Para a associação, o plano, em fase de consulta pública, deveria ter sido antecedido por um plano de urbanização da área urbana de Leiria
A Associação para o Desenvolvimento da Região de Leiria (Adlei) defendeu hoje que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) de Leiria deve ser sustentável, inclusivo e resiliente, e propôs uma comissão consultiva de acompanhamento.
Numa nota de imprensa, a Adlei referiu que a versão final do PMUS “deve ser adaptada à realidade do território, às necessidades das populações e à experiência recente dos fenómenos meteorológicos extremos”, o que “não está assegurado”.
Conheça o que diz o PMUS de Leiria neste link
Para a associação, o plano, em fase de consulta pública, deveria ter sido antecedido por um plano de urbanização da área urbana de Leiria, “capaz de enquadrar as opções de mobilidade numa visão integrada do ordenamento urbano, estruturando o solo urbano e urbanizável, a rede viária, os espaços verdes e a localização dos principais equipamentos”.
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“Nenhuma redução estrutural da acessibilidade automóvel ou da oferta de estacionamento no centro urbano deverá produzir efeitos antes de existirem alternativas de transporte coletivo e estacionamento com capacidade, frequência, horários e condições de acessibilidade adequadas”, preconizou, uma preocupação “particularmente relevante no Centro Histórico” de Leiria.
Garantindo não se opor à “progressiva pedonalização no Centro Histórico e noutras partes da zona urbana”, a Adlei salientou, contudo, que “o sucesso dessa política deve ser medido pela capacidade de manter e atrair residentes, comércio, serviços, restauração, cultura e vida urbana, e não apenas pela redução do número de automóveis”.
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A Adlei apontou “como uma lacuna relevante do PMUS a insuficiente consideração da mobilidade perante fenómenos meteorológicos extremos” (o concelho foi gravemente afectado, em Janeiro, pela depressão Kristin) e considerou ser necessário a identificação de “corredores prioritários, vias alternativas, pontos vulneráveis e acessos redundantes ao hospital, bombeiros, protecção civil e outros equipamentos essenciais”.
Alertou ainda “para as características específicas de Leiria, a orografia, o envelhecimento da população, as freguesias rurais e as periferias urbanas, e para a necessidade de garantir transporte colectivo eficaz e acessibilidade universal, que constitua uma alternativa efectiva ao automóvel”.
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A associação adiantou que as prioridades do plano devem colocar, em “primeiro lugar, a segurança e a resiliência, os acessos essenciais e a criação de alternativas efectivas ao automóvel, acompanhadas de custos, calendários e avaliação dos resultados”, pelo que, “na sua configuração atual, necessita de revisão e aprofundamento” antes da aprovação.
Propôs também a criação de uma comissão consultiva de acompanhamento do PMUS, com participação de “cidadãos com competências técnicas e de representantes de instituições e associações relevantes do concelho, articulada com a Assembleia Municipal”, para “reforçar a transparência, a participação e o escrutínio”.
A Câmara de Leiria apresentou, em 29 de Julho, à comunicação social, o PMUS, que pretende aproximar as freguesias da cidade e garantir a qualidade de vida de quem vive no concelho, segundo o presidente do município, Gonçalo Lopes.
Composto por oito eixos e 74 acções, algumas já implementadas, outras em fase de projecto, estudo ou a iniciar, o PMUS de Leiria está em fase de apresentação, consulta, esclarecimento de dúvidas e aceitação de propostas, sendo que o objectivo é que, depois da aprovação nos órgãos autárquicos, todas as iniciativas sejam postas em prática até 2035.
Na ocasião, Gonçalo Lopes referiu tratar-se de “um plano estratégico, do ponto de vista não só da mobilidade, mas da qualidade de vida de Leiria”.