Opinião

Inteligência Artificial e Timidez Económica

31 jul 2026 16:39

Todos falam em Inteligência Artificial (IA), até o papa Leão XIV com a sua carta encíclica «Magnifica Humanitas» (2026). Mas tem a IA proporcionado uma criação de riqueza mundial à escala da sua popularidade?

Em Economia, o conceito de produtividade é simples: é a produção por unidade de fator produtivo utilizado. Portanto, a teoria económica clássica conceptualiza as produtividades do trabalho e do capital como fontes potenciais do crescimento económico.

Em 1957, o economista Robert Solow, a estudar a economia norte-americana (1909-1949), identificou os efeitos do progresso tecnológico sobre a produção e o PIB.

O efeito residual encontrado por Solow foi o embrião da chamada «produtividade total dos fatores» (PTF). E o conceito também é simples: o progresso tecnológico (PTF) é a diferença entre o crescimento económico e o crescimento das produtividades do trabalho e do capital.

Por exemplo, se a produtividade do trabalho for de 1%, a produtividade do capital for de 1,5% e o crescimento do PIB for de 3%, por efeito residual, é possível afirmar que a PTF foi de 0,5% (3% - 2,5%).

A IA generativa e todas as inovações em tecnologias da informação representam investimento em capital, ou seja, produzem impactos positivos na produtividade do capital.

No entanto, a partir da relação interactiva entre a IA, os trabalhadores e as máquinas, pode haver ganhos da produtividade do trabalho e da PTF. Ou seja, a IA pode ser uma fonte potentíssima de crescimento económico pela via da produtividade.

Mas a realidade tem sido outra. Segundo o World Economic Outlook (FMI, 2026), o crescimento da produtividade nas economias capitalistas avançadas tem sido modesto.

No período 2008-2017, o crescimento anual médio da produtividade do trabalho foi de 0,8% e o previsto para 2018-2027 será de 0,7%, com 1,7% para este ano. A IA é popular, é poderosa, é transformadora, mas ainda se revela tímida na criação de riqueza. E porquê?

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Algumas razões:

i) a difusão do uso da IA ainda não é suficientemente geral para produzir efeitos agregados na economia;

ii) os métodos de medição económica não apreendem os efeitos positivos da IA, sobretudo, em termos de PTF, porque os ganhos da IA são essencialmente intangíveis;

iii) os efeitos económicos da IA exigem novos investimentos complementares, inovação em máquinas, equipamentos e software que possam usar a IA, assim como formação do capital humano (trabalhadores) e novos modelos organizacionais. A própria natureza generativa de aprendizagem contínua da IA é uma intangibilidade do capital difícil de ser captada e avaliada em termos económicos.

Os acontecimentos recentes nas empresas Anthropic e OpenAI revelam que a IA pode ser uma ameaça à segurança nacional.

Desde a Revolução Industrial, a tecnologia altera as relações e as configurações no mercado de trabalho, daí a preocupação legítima do papa Leão XIV e a Doutrina Social da Igreja.

Mas, por enquanto, em termos de criação e distribuição de riqueza económica, a IA tem sido «muito barulho por nada».