Opinião

Quantos guardas imperiais? Nunca mais de 12!

8 ago 2026 21:00

Até o Capitão América é imbuído de uma noção de empatia e solidariedade que esbarra contra qualquer lógica de organização de trabalho num armazém da Amazon

Hollywood, é a melhor arma que o império capitalista norte-americano algum dia forjou - especialmente porque funciona lindamente contra si próprio. Alguns filmes ali produzidos fizeram mais pela aceitação do país no mundo do que qualquer bomba. E fizeram-no criando um imaginário assente em princípios do bem comum, o que é completamente dissonante do egoísmo opressor do capitalismo.

É certo que não são todos os filmes, e muitas são as narrativas que alimentam a lógica capatalistacanibalista. Mas é impossível fazer heróis imperiais. Não convencem ninguém.

Até o Capitão América é imbuído de uma noção de empatia e solidariedade que esbarra contra qualquer lógica de organização de trabalho num armazém da Amazon. Tomemos os filmes e séries da saga Star Wars como exemplo: o Império tem os generais mais brutais, o mais obediente exército de stormtroopers, a melhor armada de naves, as mais rápidas pistolas de laser, o imperador é um tirano errático que toda a gente teme e que ninguém admira. Lembra-vos algum país?

Os heróis desta saga são criaturas trabalhadoras que tentam sobreviver a cada dia, ao mesmo tempo que procuram resistir às injustiças e restaurar paz no Universo: Anakin Skywalker foge do desértico Tatooine sustentado por escravos massacrados, onde há demasiados anos os tentáculos do império apoiam o governo na sua senda genocida brutal. Qualquer semelhança com a Palestina não é coincidência.

A princesa Leia e o seu povo nobre e resistente, Han Solo e o seu espírito rebelde, Luke Skywalker e a sua avidez por ser um Jedi digno (Jedi: pacifistas que usam a força com relutância e mestria). Nenhum deles diz “eu vou mas é tratar de mim”. Fazem amizade, acolhem e são acolhidos por toda a multitude de criaturas do Universo. Partilham o pouco que têm e desviam-se do seu caminho para ajudar o outro. Valores que são hoje mandados ao lixo pelo império decadente dos EUA que querem que copiemos no resto do mundo. Não sei muito bem como uma certa Hollywood resiste sem ser desmantelada, mas ainda bem que o consegue.

Antes de Marx, o que me radicalizou foi a justa luta da princesa Leia pela Rebelião contra o Império. Não há melhor tratado pop sobre a luta de classes que a série “Andor”, que nos lembra a todos os que sabem que lutar contra o império é um fardo necessário: “Se lutarmos com metade da força com que temos trabalhado, voltaremos a casa num instante!”