Opinião

Um pULO de produtividade

13 jun 2026 21:30

Valor e custos são, aliás, as duas grandes dimensões do conceito de produtividade

Falemos então de produtividade. O tema está longe de ser novo, e o debate sobre a produtividade da economia portuguesa é, provavelmente, feito desde o tempo em que D. Afonso Henriques conquistava castelo atrás de castelo, estendendo o seu poder cada vez mais a sul.

Enquanto território relativamente pequeno, com poucos recursos naturais valiosos, os períodos de riqueza de Portugal dependeram sempre de benesses externas: fossem especiarias, pessoas escravizadas, ou ouro, a base dos períodos de maior prosperidade económica resultaram de apropriação de grande valor – sem necessidade de suportar custos elevados.

Valor e custos são, aliás, as duas grandes dimensões do conceito de produtividade. E para aumentar a produtividade, há dois caminhos: aumentar o valor criado, ou reduzir os custos.

O pacote laboral apresentado pelo governo de Montenegro tem sido apontado como a solução para os problemas de produtividade do país.

Segundo o primeiro-ministro, as alterações ao Código do Trabalho são fundamentais para aumentar a produtividade, sem conseguir estabelecer de forma clara o nexo causal.

Analisando as propostas, que fragilizam os direitos dos trabalhadores, aumentam a precariedade, e, portanto, promovem a redução de salários, parece-me que falta coragem política para assumir que eventuais aumentos de produtividade se fazem à custa do salário dos trabalhadores.

Nada estranho para quem dizia “o país está melhor, a vida das pessoas é que não está melhor”.

O melhor caminho para aumentar a produtividade de um país pequeno e com poucos recursos naturais é aumentar o valor produzido.

Significa isto que é fundamental que as empresas portuguesas, de todos os setores, façam produtos de maior valor: sapatos de maior qualidade, moldes mais precisos, produtos agrícolas de maior valor, turismo para clientes exigentes, e por aí fora. A base de toda esta criação de valor é, sempre, o conhecimento.

Conhecimento científico avançado, a tecnologia state-of-the art, profissionais formados com alto grau de exigência e capazes de fazer diferente e de serem mais competentes.

A Universidade de Leiria e Oeste (ULO) será fundamental para a criação de valor na nossa região. A responsabilidade é grande, e o caderno de encargos é exigente.

Nos próximos anos, a ULO demonstrará que a sua criação não é um rebranding do Politécnico de Leiria.

É uma reformulação profunda, para a qual partimos com ambição e vontade de fazer ainda melhor. Queremos que a nossa região seja melhor, mas sobretudo que melhore a vida das pessoas.

*Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990