Abertura

Ainda há seis casas do incêndio de Pedrógão Grande por acabar ou reconstruir

23 jul 2020 11:43

Três anos depois, os processos de primeira habitação aceites pelo fundo Revita continuam por fechar. Estão concluídas 95% das obras, mas outros proprietários e famílias aguardam a conclusão dos trabalhos

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Eva Fernandes (ao centro) junto à casa que está quase pronta
Ricardo Graça

O incêndio aconteceu em Junho e em Agosto o Presidente da República já perguntava se as casas estariam prontas a tempo do Natal. Mais de três anos depois, continua por cumprir o desejo de reconstruir a totalidade dos imóveis de primeira habitação atingidos pelas chamas em 2017 nos concelhos de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos. Ainda há seis proprietários à espera, que correspondem a outros tantos processos considerados em execução pelo fundo Revita, que agrega os donativos em dinheiro, bens e serviços.

Em causa estão três habitações de Castanheira de Pera (nas aldeias de Valinha Fontinha, Rapos e Souto Fundeiro), duas de Pedrógão Grande (Vila Facaia e Campêlos) e uma de Figueiró dos Vinhos (Vale Salgueiro).

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Nos casos de Valinha Fontinha e Rapos, os moradores beneficiam de realojamento pela Segurança Social. A primeira obra está praticamente concluída, a última encontra-se parada por ausência do empreiteiro, com a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande a questionar o fundo Revita.

Em Souto Fundeiro, o fim também está longe, mas o proprietário tem alternativa própria.

Na Travessa dos Lopes, Vila Facaia, a intervenção nunca se iniciou – e entretanto a mulher que lá vivia, sozinha, morreu.

A família de Campêlos habita a moradia em restauro, o mesmo acontece em Vale Salgueiro, onde falta ampliar o imóvel já recuperado.

Vila Facaia (foto de Ricardo Graça)
Souto Fundeiro (foto de Ricardo Graça)

O presidente do Instituto da Segurança Social e presidente do conselho de gestão do Revita, Rui Fiolhais, recusou comentar. O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e a presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Alda Carvalho, não responderam aos contactos e perguntas por escrito.

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Entretanto, em Valinha Fontinha, a casa de Eva Fernandes (na foto de abertura do artigo), 34 anos, trabalhadora florestal, que partilha com cinco pessoas, aguarda ligação à rede eléctrica e mobília oferecida pelo Ikea. “E pôr ali o portão e uma varanda aqui à frente, de madeira”, explica ao JORNAL DE LEIRIA, antes de recordar como o fogo tomou o telhado e rachou as paredes, no Junho mais negro de todos.

A reconstrução suporta-se na generosidade de um grupo de empresas e particulares, a maioria da zona de Aveiro. “Valeu a pena esperar”, porque a habitação “ficou melhor” do que era. Com mais quartos e mais um piso, onde a adolescente do grupo passa a ter um refúgio para estudar.

Rapos (foto de Ricardo Graça)
Alzira Luís à porta do alojamento temporário garantido pela Segurança Social (foto de Ricardo Graça)

Na povoação de Rapos, a obra que tem por beneficiária Alzira Luís, 76 anos, viúva, está mais atrasada. Bastante mais. Fora o telhado e as paredes rebocadas, falta quase tudo, incluindo portas, janelas e pavimento, entre outros elementos. Três anos depois.

“Não tem cabimento”, desabafa ao JORNAL DE LEIRIA. “Tem sido muito difícil”.

As chamas transformaram a residência de um casamento inteiro numa ruína e a construção nova é de raiz. Só que o empreiteiro não aparece há meses. Na prática, está interrompida. Como a vida de Alzira Luís.

95% estão concluídas

Das 259 casas de primeira habitação para recuperar ou reconstruir nos concelhos afectados pelo incêndio de Junho de 2017 – Pedrógão Grande, Caastanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos – mas também nos concelhos vizinhos de Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela, 245 encontram-se concluídas, o equivalente a 95%, revela o mais recente relatório de execução trimestral do fundo Revita, com a situaç&atild

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