DEPRESSÃO KRISTIN
Autarcas de Leiria arrasam E-Redes. Mais de 20 mil clientes sem electricidade há 11 dias
Carta aberta pede respeito pelas populações, defende que os lesados sejam ressarcidos, critica a falta de informação e a insuficiência de medidas e sugere que são necessários mais geradores no concelho de Leiria
O texto em que se pede “respeito pelas populações” começa por lembrar os “milhares de cidadãos que continuam privados de um serviço essencial”, quando “passaram já 11 dias” desde a depressão Kristin.
Segundo o briefing deste sábado, há momentos, no quartel dos Sapadores, no concelho de Leiria há “ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia eléctrica, sobretudo nas zonas mais rurais”.
“Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”, explicou o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, que leu a carta aberta dirigida ao presidente do conselho da administração da E-Redes e saída da reunião mantida hoje entre o Município de Leiria e os presidentes das juntas de freguesia do concelho.
Os autarcas de Leiria consideram que “não podem aceitar” o cenário que prevalece no terreno e apontam a necessidade de “disponibilização de geradores”.
Na carta aberta, que arrasa o desempenho da E-Redes até ao momento, presidente da Câmara e presidentes de junta exigem “a divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização” e “a criação de um canal directo, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia”.
Por outro lado, defendem que “impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”, pela indisponibilidade de acesso a energia eléctrica.
O documento critica “a ausência de informação” por parte da E-Redes e “a insuficiência de medidas de mitigação”, aspectos que “tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono”.
Refere, ainda, “as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem electricidade”.
Leia a carta aberta na íntegra:
“Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração da E-REDES,
A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia do concelho, reunidas hoje, dia 07 de fevereiro de 2026, dirigem-se publicamente a V. Exas. num momento particularmente exigente para o nosso território e para milhares de cidadãos que continuam privados de um serviço essencial.
Passaram já 11 dias desde o fenómeno meteorológico extremo que atingiu o concelho de Leiria e, à data de hoje, permanecem ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia eléctrica, sobretudo nas zonas mais rurais.
Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade.
Reconhecemos o esforço técnico das equipas no terreno e temos plena consciência da dimensão excepcional dos danos causados. Contudo, a preocupação que hoje expressamos vai além da reposição física do serviço. Prende-se com a ausência de informação clara, regular e territorializada, mas também com a insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia eléctrica.
Num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica.
As populações têm o direito de saber:
Qual o ponto de situação concreto em cada freguesia;
Que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço;
Que critérios orientam as prioridades de intervenção;
Que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adoptadas para os ultrapassar;
Que medidas de mitigação estão a ser accionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível, designadamente no que respeita à disponibilização de geradores ou a outras soluções temporárias.
A falta de informação objectiva, actualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono.
Para além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia eléctrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente.
Enquanto autarquia e enquanto juntas de freguesia, somos o primeiro rosto institucional junto das populações. Somos nós que recebemos diariamente as chamadas, as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem electricidade. É, por isso, nossa responsabilidade institucional exigir que a informação circule com transparência, regularidade e previsibilidade, e que existam mecanismos claros de articulação e apoio no terreno.
A confiança constrói-se com verdade, com dados, com presença no território e com respostas concretas às necessidades imediatas das pessoas.
Nesse sentido, consideramos indispensável:
A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização;
A criação de um canal directo, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas;
A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade;
A presença regular de responsáveis da E-Redes no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais.
As populações de Leiria merecem respeito.
Merecem informação clara.
Merecem respostas.
Merecem previsibilidade.
A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia mantêm-se totalmente disponíveis para colaborar, como sempre estiveram. Mas não podem aceitar que, passados 11 dias, milhares de pessoas continuem sem electricidade, sem respostas claras e sem medidas de mitigação adequadas a um serviço absolutamente essencial à sua vida quotidiana.
É tempo de reforçar a comunicação, assumir responsabilidades, mitigar impactos e devolver confiança às populações.
Câmara Municipal de Leiria
Juntas de Freguesia do Concelho de Leiria”.