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Com produção d'O Nariz, “Aljubarrota 1385” viaja aos dias decisivos antes da batalha

10 jun 2021 12:00

A estreia é sábado, na Estalagem do Cruzeiro, em Aljubarrota, às 17:30 horas

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Ensaios de preparação do espectáculo com um dos parceiros, O Alguidar
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Redacção/Agência Lusa

Os dias anteriores à Batalha de Aljubarrota são revisitados num espectáculo que estreia sábado, dia 12, em Aljubarrota, e que, como a Guerra de 1385, chega a Alcobaça, Porto de Mós e à Batalha.

“Aljubarrota 1385” recua a 11 de Agosto de 1385, quando o exército de D. João I chegou a Porto de Mós. A partir daí, “com base nas informações mais factuais” hoje disponíveis, o dramaturgo Luís Mourão recria a preparação do confronto que se avizinhava, um período “sobre o qual, como colectivo”, menos se conhece, explica o grupo de teatro O Nariz, de Leiria, responsável pela produção.

“Não haverá lutas, não haverá cavalos, não haverá nada disso”, revela o encenador Pedro Oliveira, porque “não se trata de uma recriação histórica”, mas de “um espectáculo com encenação clássica”, onde se transmite “a percepção de que a independência está em risco”.

“Não é só a preparação da batalha, as tácticas e as técnicas: dá-se a entender o que aconteceu antes e o que pode acontecer no futuro”, diz o também director artístico, salientando a importância da “carga pessoal” de D. João I e de Nun'Álvares Pereira na narrativa. 

A peça é marcada pela “coragem física e moral” das personagens principais, mas também de “muitos outros, cujo papel determinante na vitória, é frequentemente esquecido ou menorizado”, como as populações de Alcobaça e de Porto de Mós.

O actor Henrique Gomes interpreta D. João I e destaca a reflexão suscitada sobre o que foi determinante para a vitória, “numa batalha que é sobretudo muito psicológica” e, também, uma leitura de Luís Mourão transponível para os dias de hoje.

“Por vezes, parece que temos barreiras mentais que nos desmotivam e impedem de fazer coisas. Estamos derrotados antes de ir para a guerra. O rei e Nun’Álvares salientam aqui precisamente isso: há batalhas que se ganham anulando esse pessimismo e negativismo anterior e lutando para conquistar com vontade”, diz.

Daniel Macedo Pinto, que encarna Nuno Álvares Pereira, elogia o texto de Mourão por “revelar a estratégia que ia nas cabeças de D. João I e Nun’Álvares”, tanto “nas estratégias militares, surpreendentemente inovadoras, como na propaganda”.

“Em 14 minutos, tudo ficou resolvido. Na verdade, sem eles, sem a concordância destas duas cabeças, se calhar Portugal, hoje, seria muito diferente”, nota.

Para Daniel Macedo Pinto é ainda interessante “o ‘puxar o tapete’ ao espectador”. “Espera-se muita batalha, porque há muita espada aqui; mas não há batalha, isto são os bastidores: a batalha [de Aljubarrota] foi ganha antes, porque houve preparação”, resume.

“Aljubarrota 1385” conta com um elenco de quase 40 elementos, entre actores, músicos, arqueiros e homens de armas, num projecto conjunto dos municípios de Alcobaça, Batalha e Porto de Mós.

A estreia é sábado, na Estalagem do Cruzeiro, em Aljubarrota, às 17:30 horas, repetindo no domingo, no mesmo local à mesma hora.

Depois, a peça vai ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, no concelho de Porto de Mós, nos dias 19 e 20 de Junho, e ao Largo Infante D. Henrique, na Batalha, a 26 e 27 de Junho.

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