Economia

De portas fechadas há 17 meses, discotecas lutam pela sobrevivência

11 set 2021 17:30

Encerradas há ano e meio, as discotecas enfrentam enormes prejuízos e lutam pela sobrevivência. É com expectativa que os empresários aguardam pela reabertura, mas não esperam enchentes

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Ricardo Graça/Arquivo
Raquel de Sousa Silva

A facturação caiu 70% e os resultados passaram de positivo para negativo.

O Operário, na Marinha Grande, tem duas áreas de actividade, uma delas discoteca, que está fechada desde o início da pandemia.

A outra, o café/restaurante, tem trabalhado, mas não é o suficiente para “suportar todas as despesas” inerentes ao funcionamento do espaço, admite Luís Vasco Pedroso.

O gerente lembra que “é muito complicado” manter um negócio fechado tanto tempo, sobretudo quando era o que mais margem de lucro assegurava.

“A margem da venda de bebidas é maior do que a das refeições”. Mesmo com apoios, “a sobrevivência é difícil”.

É com alguma expectativa que o empresário aguarda pela reabertura, prevista para Outubro, mas ainda sem data definida. “Penso que vamos poder ter a lotação normal, mas será preciso certificado digital ou teste negativo para entrar”.

Luís Vasco Pedroso espera que os horários permitidos sejam pelo menos até às quatro horas da manhã. “Se for apenas até às duas será complicado, esse é o horário de funcionamento dos bares”.

O empresário lembra outro aspecto que virá complicar o negócio. No ano passado saiu uma lei que proibe fumar em espaços fechados (é necessário local próprio, com determinadas especificações).

“Os fumadores são quem mais consome numa discoteca. Se não podem fumar, ou têm de ir à rua para isso, e se ainda por cima for necessário usar máscara, vai ser complicado”.

“Se não fossem as moratórias já tínhamos aberto falência”, admite Nuno Gil, proprietário do Guilt, em Leiria.

“Se não há rendimentos não se conseguem pagar despesas”, diz o empresário, que enaltece a compreensão do senhorio, que aceitou o plano de pagamento de rendas apresentado.

“Não entrámos na ilusão do lay-off”, diz o gestor, explicando que foi necessário recorrer ao despedimento colectivo e que os cerca de 12 funcionários “foram para o fundo de desemprego”.

“O lay-off já nos teria matado”. “Sabia que enquando não fosse decretado o fim da pandemia não nos deixariam reabrir. O Governo não tomou a melhor opção em relação aos apoios para este sector”, lamenta.

Nuno Gil diz que os investimentos feitos na Guilt foram “pesados” e que a facturação “já não era nada de especial” antes da pandemia.

Explica que o negócio das discotecas tem vindo a cair desde 2009, porque as bebidas “estão cada vez mais caras”, mas são vendidas praticamente “ao mesmo preço” dessa altura.

“As margens de lucro baixaram bastante. A nossa empresa tinha investido há pouco tempo. Amortizar o investimento e ter a cargo o custo dos trabalhadores era impossível”, garante.

Nuno Gil acredita que “não vai haver um boom” de afluência às discotecas quando estas puderem reabrir.

“O nível de vida está muito caro. As pessoas só irão se tiverem condições”. Até porque 90% da clientela são estudantes, que têm custos inerentes ao alojamento, alimentação e outros aspectos, pelo que “p

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