Legislativas 2022

Derrota do PSD em Leiria: “Há um erro de comunicação. Eu assumo a minha parte”

31 jan 2022 00:24

Hugo Oliveira: “Os partidos devem começar a olhar para dentro e perceber que muita coisa tem de mudar”

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Sede do PSD em Leiria, esta noite
Sérgio Claro

Já a noite vai longa quando minutos antes das 23 horas o presidente da distrital de Leiria do PSD, Hugo Oliveira, fala para duas dezenas de militantes e para os jornalistas presentes na sede da Avenida Dr. José Jardim, em cima de uma dupla derrota: não só “o primeiro objectivo”, ou seja, “o PSD ganhar as eleições legislativas”, fica por cumprir, como “o segundo”, que no distrito de Leiria “mantivesse no mínimo o mesmo número de deputados”, também.

É um desfecho histórico. Pela primeira vez, o PS ganha as legislativas no círculo eleitoral de Leiria e elege mais deputados no distrito (5) do que o PSD (4), com o Chega a alcançar o outro mandato disponível.

Face a 2019, o PSD consegue mais 6.817 eleitores no distrito de Leiria e aumenta a votação de 33,52% para 34,58%, mas perde um deputado e é ultrapassado pelo PS.

Por Leiria, elege Paulo Mota Pinto, Hugo Oliveira, Olga Silvestre e João Marques, enquanto João Carlos Barreiras Duarte, teoricamente em lugar elegível, fica fora da Assembleia da República.

Os sociais-democratas tinham vencido no distrito de Leiria em 2019 com mais 5.479 votos do que os socialistas, agora obtiveram menos 2.475.

Perante o cenário regional e nacional, de desaparecimento do bastião laranja e de falhanço no assalto ao poder, Hugo Oliveira reconhece: “Foi uma surpresa, no país inteiro”.

No distrito de Leiria assumimos que não correu da forma que gostaríamos e que perdemos as eleições, como perdemos no país inteiro”, declara.

É o primeiro ensaio para a tese de que “a pesca de arrasto” comandada por António Costa influencia os resultados em todas as regiões.

Teremos de fazer um reflexão”, diz Hugo Oliveira, mas “é uma reflexão que o partido deve fazer no seu cômputo geral”.

Os partidos devem começar a olhar para dentro e perceber que muita coisa tem de mudar”, considera.

Por um lado, “ainda paira no ar algum receio” de regresso ao período da austeridade, que “as pessoas não esquecem”, por outro, “os partidos têm de perceber o que é que têm de mudar e adaptarem-se à sociedade. E o PSD tem de o fazer”.

Nomeadamente, perceber “onde é que está falhar na sua forma de comunicar com a população”, aponta Hugo Oliveira. “Essencialmente, há um erro de comunicação do Partido Social Democrata – eu assumo a minha parte, portanto, assumo no distrito de Leiria também – de comunicação com a população”.

Nós não conseguimos transmitir à população aquilo que queremos para o país, porque se conseguíssemos é facil de perceber que dificilmente as pessoas votariam no partido socialista”, acredita o presidente da distrital de Leiria do PSD.

E insiste: “No distrito de Leiria não me lembro de termos uma derrota assim”, que “resulta muito daquilo que é a onda nacional”.

Com o Chega a somar mais 15.597 votos no distrito de Leiria do que nas legislativas de 2019, e a Iniciativa Liberal a ganhar mais 10.346 eleitores, “os partidos tradicionais têm de perceber que quando perdem para as franjas [por] alguma razão é”.

Os eleitores ensinam-nos que hoje em dia a maturidade democrática é superior à que os políticos pensam que é”, arrisca. “Estes fenómenos na política têm de ser interpretados como cansaço das pessoas com os partidos tradicionais”.

E em Leiria, erro de casting na elaboração da lista de candidatos do PSD? “Eu não colocava a questão dessa forma”, responde Hugo Oliveira. “Em eleições legislativas o candidato a primeiro-ministro de um partido vale, diria eu, 98 e alguns casos 99 por cento das decisões de voto num concelho. Os candidatos no distrito e nos concelhos podem valer 1%”.

Foi a pesca de arrasto que António Costa nos trouxe ao país e portanto leva quase toda a gente com ele”, conclui.

Gostaria muito que o PSD continuasse a ter um bastião laranja no distrito de Leiria, não o teve porque foi arrastado por todo o resto do país”.