Sociedade
Deslizamento de terras em São Romão obriga à retirada de 13 pessoas de suas casas
O vereador da Protecção Civil da Câmara de Leiria adianta que as autoridades estão a fazer vistorias e a avaliar a estabilidade do talude
"Por volta das seis da manhã, ouvi um estrondo. Parecia um trovão. Uns instantes depois, houve um novo barulho bastante intenso. Fui à rua e vi que a barreira tinha colapsado". O relato é de Ivo Ribeirinho, morador na rua da Encosta, em São Romão, Leiria, onde um deslizamento de terras ocorrido esta madrugada obrigou à retirada de 13 pessoas de suas casas.
Não é esse, para já, o caso da família de Ivo Ribeirinho. "As três primeiras casas do outro lado da rua são as mais afectadas. Aqui, temos terra em cima do telheiro e da churrasqueira, mas não entrou dentro de casa", descreve o morador, que admite que a estrada existente nas traseiras das habitações, que serve de acesso duas moradias mais acima, possa ter ajudado a suster alguma terra.
Menos sorte teve o filho de Jorge Prates, que está emigrado na Suíça, cuja casa ficou "bastante afectada", pela "enxurrada" que veio da encosta, entrou pelo quintal, "rebentou a janela" e invadiu a cozinha. "É o que faz, deixar-se construir em todo lado e mexer-se terras nas encostas", desabafa Jorge Prates.
O vereador da Protecção Civil, Luís Lopes, confirmou ao JORNAL DE LEIRIA que, na sequência do deslizamento de terras numa das encostas de São Romão foram retiradas, até o momento, 13 pessoas e que as autoridades estão "a proceder a vistorias para notificar os proprietários" da parte privada, para serem feitas as reparações necessárias.
Segundo o vereador, um dos objectivos é repor o acesso às habitações todas, porque “algumas ficaram muito condicionadas por parte de um caminho que foi também muito danificado”.
As 13 pessoas retiradas viviam nas habitações por baixo de uma encosta, mas a Protecção Civil está a monitorizar uma outra habitação na parte superior do talude.“Estamos a verificar a sua estabilidade, uma vez que uma parte das fundações ficou à mostra e temos de ter a certeza que não há dano estrutural que possa colocar em causa os moradores”, adianta Luís Lopes.
O vereador explica que se tratou de “um movimento de massas considerável”, que envolve “umas toneladas valentes de terras que se movimentaram”, pelo que “ainda vai levar alguns dias até se conseguir repor”.