Economia
Economia azul deve garantir máximo de receita distribuída localmente
Conferência "Por um futuro azul, no turismo costeiro"
Os oradores convidados para a conferência Por um futuro azul, no turismo costeiro, que se realizou na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), no final da semana passada concordaram com a necessidade de ancorar o turismo costeiro e marinho na inovação e na sustentabilidade, perante um desenvolvimento feito “muito devagar”.
Carlos Pereira da Silva, da Coastal Education Resarch Foundation, destacou que “é crucial inverter o sistema extractivo e de alto impacto”, que leva à degradação dos recursos.
Propôs um modelo assente em IA e digital twins, além da cidadania dinâmica em vez do consumo passivo, notando ser “fundamental” que o máximo de receita seja distribuído localmente.
António José Correia, coordenador da Rede de Estações Náuticas, que conta com dois mil parceiros, defendeu que o turismo náutico deve ser “cola e, ao mesmo tempo, fermento”, para áreas dispersas da economia azul, como a pesca e a biotecnologia.
A impressão 3D de substratos cerâmicos biodegradáveis, que podem incluir sementes, para a reflorestação marinha com algas kelp, foi a iniciativa apresentada pelo investigador Marcelo Gaspar, como exemplo de aplicação da ciência em turismo regenerativo.
Deu ainda a conhecer o Surf Solid Sun que valoriza redes de pesca.
Paulo Ferreira, do Peniche Surfing Club, reconheceu que o surf é um motor que catapultou a marca Peniche, mas mostrou-se preocupado com o impacto da "pressão muito grande" no espaço e a “grande responsabilidade social e ambiental” das autoridades e do público, advogando estudos de carga e monitorização da costa, com a academia.
No âmbito do mesmo tema, o Smart Ocean de Peniche e a Ocean14 Capital, fundo de investimento londrino especializado em soluções oceânicas sustentáveis, assinaram um memorando de entendimento no âmbito da economia azul.
Pretende-se a cooperação entre o ecossistema científico e tecnológico do hub e a experiência do fundo no financiamento de soluções relacionadas com o oceano.
Sérgio Leandro, coordenador científico do Smart Ocean, acredita que a cooperação permitirá“transformar o Smart Ocean num verdadeiro living lab para a transição sustentável dos oceanos”.
Já Francisco Saraiva Gomes, sócio-fundador da Ocean 14 Capital, defendeu um cluster azul de elevado potencial em Portugal e a urgência de concentrar capacidades locais para modelos de negócio sustentáveis.