Sociedade
Equipa de arqueólogos descobriu necrópoles em Leiria
Especialistas internacionais desvendam, na bacia do rio Lis, mudanças na pré-história através do estudo de refeições confeccionadas há milhares de anos e de abrigos do homem primitivo
Arqueólogos das Universidade do Algarve, da Câmara de Leiria e da University of Tulane (E.U.A.) escavaram, catalogaram e registaram, com o apoio do Núcleo de Espeleologia de Leiria, 45 novos sítios arqueológicos, no concelho, entre Setembro do ano passado e a última semana.
Os resultados do projecto de arqueologia EcoPLis - Ocupação Humana nos Ecótonos do Rio Lis foram apresentados no sábado no Museu de Leiria.
Em quatro dos locais, Gruta e Abrigo da Buraca da Moira, ambos na freguesia de Boa Vista, Abrigo do Poço (Arrabal) e Praia do Pedrógão (Coimbrão), cobrindo uma cronologia que vai do Paleolítico Inferior até ao Calcolítico foram iniciadas escavações que levaram à descoberta de um conjunto de necrópoles do Neolítico/Calcolítico, um achado até agora inédito na região.
“Naquilo que pensávamos ser o Abrigo da Buraca da Moira, mas que revelou ser uma antiga gruta explorada por uma pedreira nos anos 1950 até só ficar o resto de uma sala, foram encontrados vestígios humanos, pedaços de maxilares ainda com dentes em bom estado, desgastados, mas sem cáries, restos de fetos e de crianças, o que levanta a possibilidade de ali se encontrar uma necrópole”, explicou Telmo Pereira, da Universidade do Algarve.
A gruta da Buraca da Moira, a poucos metros de distância, não revelou qualquer achado digno de nota.
Foram ainda recolhidos milhares de ossos de animais e conchas marinhas, por vezes em sítios localizados a mais de 20 quilómetros do litoral, revelando a grande importância do estudo da relação entre os sítios arqueológicos localizados no litoral e os localizados no interior.
Nas grutas, abrigos e sítios de ar livre explorados, acharam-se artefactos e instrumentos em pedra talhada, cerâmica manual e adornos como conchas perfuradas, ossos trabalhados e placas de xisto.
Património pré-histórico de Leiria
Descobertas vão às freguesias
Dada a morfologia e as condições existentes na bacia hidrográfica do rio Lis, a equipa procurou tirar proveito destas condições para compreender a arqueologia e as mudanças no ambiente desta região durante a pré-história.
Foram aplicadas as mais modernas tecnologias de catalogação e posicionamento para registar com rigor milimétrico a localização de cada achado, recuperar vestígios de muito pequena dimensão como sementes, carvões, pólen ou ossos de pequenos roedores.
Com essa informação, os especialistas querem reconstruir, com o maior detalhe possível, a forma como as populações do Paleolítico se adaptaram às constantes mudanças na paisagem.
Vânia Carvalho, arqueóloga e responsável pelo Museu de Leiria, explica que, no Verão, a divulgação dos achados vai passar pelas Juntas de Freguesia para que a população possa entrar em contacto com os achados nas suas freguesias.
“No concelho de Leiria, o património arqueológico pré-histórico é extraordinário, assegura a responsável pelo Museu de Leiria.”
Leia mais na edição impressa ou torne-se assinante para aceder à versão digital integral deste artigo