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FELP. Diana Nicolau e bonecos da S. A. Marionetas na nova comédia para adultos da RTP
O projecto conta para já com 12 episódios e também tem exibição anunciada em streaming
O sonho de José Gil, Sofia Vinagre e Natacha Pereira para a S. A. Marionetas – um projecto de televisão dirigido ao público adulto – acaba de tornar-se realidade na RTP. O canal público está a exibir desde segunda-feira uma nova série com 12 episódios em que os protagonistas são bonecos construídos pela companhia de Alcobaça, que contracenam com humanos. Comédia vestida de policial, ou vice-versa, FELP tem também exibição anunciada em streaming, na RTP Play e através da plataforma HBO Max.
Há anos que os artistas da S. A. Marionetas esperam por este momento. Pelo menos, desde a parceria no teatro musical Avenida Q com o actor e encenador Rui Melo e com o argumentista Henrique Dias, que, entretanto, se juntaram ao realizador Manuel Pureza na sátira Pôr do Sol. Precisamente, a equipa que assina FELP.
Em horário nobre (21 horas) e de segunda a sexta-feira, há agora um país onde os peluches lutam por representação política e máquinas de secar roupa com programa de delicados. Vão sendo raptados, ninguém sabe porquê, o que os leva a criar a Frente Espectacular pela Liberdade Peluda. O mistério serve de gatilho para o enredo, sobre diferença, identidade e empatia.
Quase 40 bonecos
Além de formar os actores de voz responsáveis pela manipulação, e de, noutros casos, garantir a manipulação, a companhia de Alcobaça imaginou e construiu quase 40 marionetas ao longo de dois meses, antes de participar nos 50 dias de filmagens. Sempre a um ritmo “bastante duro” e com desafios como esconder o bonecreiro, posicionar o som ou trabalhar num plano inferior ao cenário sem contacto visual directo nem ecrã. “Queríamos uma qualidade superior ao que alguma vez foi feito em Portugal”. Missão cumprida? “Acho que as pessoas vão ficar impressionadas com o resultado final”.
O humor de FELP, segundo José Gil, “faz pensar” e “ao mesmo tempo rir”. A série “toca em temas fracturantes” a partir de um mecanismo simples: os bonecos vivem arreliados porque sentem que os humanos os tratam como cidadãos de segunda.
Também os artistas de marionetas precisam de “mais abertura e respeito”, comenta José Gil. “É raríssimo ter num sábado à noite uma companhia de marionetas num teatro”, assinala. “Tem a ver com quem programa” e com “o estigma de bonecos para crianças”. FELP, acredita, vai “abrir mentalidades, porque é para adultos”.
E muito nonsense
A actriz Diana Nicolau, que cresceu em Alcobaça, interpreta a agente da Polícia Judiciária destacada para apoiar o inspector-chefe na investigação. “Muito mais inteligente do que ele”, que é “o típico homem machista”, com “complexos de superioridade” que escondem “inseguranças”, diz ao JORNAL DE LEIRIA. “O que vai fazer com que esta série tenha sucesso e o público se consiga identificar é que aquilo que [os autores] fizeram foi agarrar em problemas reais da sociedade, como discriminações de minorias”, aponta. “E transpuseram isso para os bonecos, que, claro, se queixam de serem olhados de forma diferente, de ficarem com trabalhos inferiores, de ganharem menos”.
Não é apenas o registo “muito nonsense” em diferentes “camadas” que permitem falar “a brincar de coisas sérias”. O projecto mostra “qualidade internacional”, considera Diana Nicolau, que este ano gravou outras duas séries para a RTP, incluindo Salto de Fé, já disponível.
FELP conta no elenco com Diogo Morgado, Inês Aires Pereira, Inês Castel-Branco e Manuel Marques, entre outros.