Sociedade

ICNF: “Não vamos conseguir replantar todo o Pinhal do Rei"

13 mai 2020 08:53

Nuno Banza, presidente do ICNF, reafirma aposta na regeneração natural

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Situação do Pinhal de Leiria esteve em discussão na AR
Ricardo Graça/Arquivo
Redacção/Agência Lusa

A reflorestação da Mata Nacional de Leiria, afectada pelos incêndios de 2017, vai demorar mais de uma década, num processo que aposta na regeneração natural das espécies, avançou ontem o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), informa a agência Lusa.

“Aquilo que perdemos no Pinhal do Rei [oficialmente designado por Mata Nacional de Leiria] é perdido a uma escala que não se compadece com a escala que gostávamos de repor, perdemos décadas de crescimento de floresta, não vamos conseguir nos próximos dois, três, quatro, cinco, dez anos, repor a paisagem, repor o valor, a importância, o património que perdemos”, afirmou o presidente do ICNF, Nuno Banza, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, na Assembleia da República, em Lisboa.

De acordo com a agência Lusa, o responsável do ICNF falou sobre a reflorestação da Mata Nacional de Leiria, também conhecida por Pinhal do Rei, em resposta a questões do deputado do PCP João Dias, que procurou saber quais as medidas de recuperação da floresta que ardeu em 2017 e defendeu “um plano consistente”.

“É muito violento para todos nós olhar para aquilo que é a realidade hoje do Pinhal do Rei. Ninguém escamoteia esta realidade, arderam quase nove mil dos 11 mil hectares do Pinhal do Rei e isso é um drama nacional”, disse o presidente do ICNF.

No âmbito do processo de reflorestação, Nuno Banza referiu que “é muito difícil” explicar às pessoas que existia um património genético de sementes em muitos dos territórios que arderam e que é preciso “deixar à regeneração natural”.

“Não vamos conseguir replantar todo o Pinhal do Rei […]. Não estamos a enjeitar as nossas responsabilidades, nem a dizer que não vamos fazer aquilo que temos para fazer, mas há uma coisa que não vamos conseguir fazer, que é repor no prazo de que gostávamos o património que se perdeu”, declarou o responsável do ICNF, adiantando que a intervenção passa por integrar novas abordagens orientadas para as espécies e para os habitats.

A ideia passa pela criação de áreas de paisagem florestal biodiversas, com capacidade de ter uma maior resiliência ao fogo e “não apenas numa perspetiva da produção florestal”, referiu o presidente do instituto que gere a floresta pública.

Além da Mata Nacional de Leiria, o ICNF está a fazer “um conjunto vasto e diversificado de ações, de intervenções e de investimento” em outras áreas florestais públicas afetadas pelos incêndios de 2017, nomeadamente as matas do Pedrógão, Urso, Quiaios, Vagos, Cantanhede e Mira.

Para ajudar na intervenção nas áreas ardidas, foi publicado, na sexta-feira, um concurso para o primeiro estudo para os concelhos da Sertã, Vila de Rei, Mação, Oleiros e Proença-a-Nova, “que são áreas do Pinhal Interior, que são áreas críticas, que foram fortemente fustigadas, foram percorridas por grandes incêndios”.

De acordo com o presidente do ICNF, trata-se de um concurso para a realização de “um estudo para um plano integrado de gestão da paisagem naquele território”, nomeadamente através de propostas de “arrendamento coercivo, a possibilidade de integrar territórios privados em estratégias de gestão da paisagem que protejam a paisagem como um todo”.

O trabalho que está a ser feito nas áreas ardidas, em que “muitas delas são privadas”, é criar unidades de gestão da paisagem, “com objectivos claros, com financiamento multifundos”, explicou Nuno Banza, destacando duas componentes, designadamente a criação dos mosaicos, com plantações de medronheiro ou outras espécies adequadas para conter a progressão do fogo, e um mecanismo de financiamento, com algum retorno para que os proprietários que tenham perdas de rendimento possam ser compensados.

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