Sociedade

Instituições de Leiria distribuem roupa quente e cobertores a pessoas sem-abrigo

6 jan 2026 19:18

No ano de 2025 foram sinalizadas 31 pessoas em situação de sem-abrigo em Leiria, quando no ano anterior tinham sido 34

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Redacção/Agência Lusa

Várias instituições de Leiria vão distribuir roupa quente e cobertores a pessoas em situação de sem-abrigo devido ao tempo frio que se faz sentir, disse hoje à agência Lusa a vereadora do Município Ana Valentim.

“A equipa de rua da InPulsar [Associação para o Desenvolvimento Comunitário] e o Centro de Acolhimento irão fazer distribuição de roupas quentes e de cobertores”, afirmou Ana Valentim, explicando que “os Bombeiros Sapadores também têm fornecido este tipo de equipamento”.

Segundo a vereadora com o pelouro do Desenvolvimento Social, no ano de 2025 foram sinalizadas 31 pessoas em situação de sem-abrigo em Leiria, quando no ano anterior tinham sido 34.

“Face a 2024, verificou-se uma ligeira diminuição, que não possui relevância. É de salientar que, no ano de 2025, Leiria teve mais pessoas integradas em respostas sociais do que na rua, ou seja, o número de pessoas a viver em espaço publico ou em local precário diminuiu, sendo que aumentou o número de pessoas integradas em respostas sociais”, explicou a autarca.

Para Ana Valentim, “esta importante inversão é sustentada no facto de a InPulsar ter aumentado a lotação, na resposta social, apartamentos partilhados e também no projeto ‘Morada Certa’”, que visa a integração social de pessoas em situação de sem-abrigo, “contribuindo para aumento e diversidade de respostas”.

Das pessoas em situação de sem-abrigo sinalizadas no ano passado em Leiria, os dados da Câmara referem que se trata de “26 homens e cinco mulheres”, começando os escalões etários no grupo dos 18 aos 20 anos (duas pessoas) e terminando entre os 65 e 68 anos (três).

A maioria das pessoas tem nacionalidade portuguesa (24), seguindo-se pessoas do Brasil (três), de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (3) e da Ucrânia (1). Ocupam o espaço público (Polis e jardins) e edifícios devolutos.

A vereadora declarou que o trabalho da Câmara com estas pessoas decorre no âmbito do Núcleo de Planeamento, Intervenção Sem-abrigo, criado em Julho de 2020, que integra 14 entidades.

“Destas, cinco integram o núcleo operativo que receciona a sinalização de pessoas em situação de sem-abrigo, avalia as situações, fazendo o acompanhamento das mesmas em articulação com os restantes parceiros, nomeadamente com os serviços de saúde, Centro de Acolhimento de Leiria, InPulsar e Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social”, para dirimir as situações subjacentes ao contexto de sem-abrigo em que a pessoa se encontra, declarou.

A autarca frisou que esta abordagem é feita sempre com a pessoa, que é envolvida “na procura de alternativas” à sua situação.

“Além de acompanhamento de proximidade, o Município de Leiria tem promovido no âmbito do Programa MAIS, dinamizado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, candidaturas +Inclusão, as quais apoiam beneficiários de Rendimento Social de Inserção e outros desempregados em situações de maior vulnerabilidade, através da ocupação em contexto de trabalho socialmente útil, com a finalidade de capacitar as pessoas em termos profissionais e sociais”, referiu.

Por outro lado, Ana Valentim salientou que “os apoios financeiros atribuídos no âmbito do Fundo Municipal de Emergência Social, subsídios eventuais a pessoas em situação de vulnerabilidade social e programa de comparticipação ao arrendamento têm grande impacto na prevenção da situação de sem-abrigo, comparticipando temporariamente rendas (quartos, casas) e também apoiando produtos de apoio”, como próteses dentárias ou óculos.

O Município de Leiria financia também na íntegra (rendas e equipa técnica) quatro pessoas no projecto “Morada Certa”, sendo que neste ano vai apoiar seis.

Quanto à criação do Centro de Acolhimento de Emergência Social, a vereadora adiantou que vai “avançar como resposta social de apartamento partilhado”, justificando esta mudança devido à “alteração de requisitos técnicos impostos pela Segurança Social” que “surgiu já depois de a obra estar em curso e em fase de conclusão”.