Economia

Membro de movimento responde ao Grupo Vidrala sobre greve no sector vidreiro

5 abr 2025 12:55

Os trabalhadores do sector vidreiro estão em greve desde 25 de Março

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No seguimento do comunicado de imprensa do Grupo Vidrala, sobre a greve que tem paralisado o sector vidreiro na Marinha Grande, um membro do movimento que pede que esta actividade seja classificada como profissão de desgaste rápido respondeu aos esclarecimentos apresentados pelo grupo empresarial.

O JORNAL DE LEIRIA publica, na íntegra, a resposta recebida:

 

“Usando o direito de resposta, o vencimento bruto anunciado pelo grupo [Vidrala] não refere que inclui subsídio de turno por turnos rotativos de um ou mais meses seguidos sem pausas.

Não refere que o único aumento em que realmente terá havido 10% foi por ter sido indexado à inflação de 2022, mas em compensação negaram-nos, de forma encoberta, os prémios associados à produção que estão em Acordo de Empresa e que somente foi descoberto por mero acaso e que se têm desdobrado em subterfúgios para justificar o injustificável.

Aumentámos a produção de garrafas no dobro, no espaço de dois anos, com o mesmo número de trabalhadores. O absentismo triplicou devido à exaustão, cansaço e acidentes de trabalho.

São aliciados, intimidados ou persuadidos trabalhadores a vir trabalhar nas pausas para colmatar baixas. Nunca (informação fácil de consultar, que é pública) o grupo apresentou tantos lucros e distribuiu tantos dividendos como no ano de 2024.

O ambiente de trabalho é tóxico, temperaturas de zonas de trabalho acima dos 55 graus centígrados, ruído acima dos 105 dB, o ar impregnado de vapores de produtos químicos e óleos, incêndios em que somos a primeira linha de intervenção, queimaduras, entalamentos e esmagamentos de membros, doenças profissionais tais como tendinites, bursites, distúrbios de sono, surdez. Fora aquelas que a segurança social não reconhece fazem da nossa profissão, um trabalho penoso e exaustivo.

Trabalhamos o ano inteiro, Natal , Páscoa , fins-de-semana e afins.

Dou-vos como exemplo um funcionário que tenha entrado em 2005 com o vencimento base de 1.100 euros. Em 2025, tem um vencimento base de 1.510 euros. Sabendo que, em 2022, tivemos um aumento de 10% por causa da inflação, fazendo as contas, em 20 anos, os aumentos não têm ido acima dos 20 euros anuais.

Há neste momento um movimento de trabalhadores, comissões de trabalhadores, sindicatos que têm tentado levar a bom porto a categorização de profissão de desgaste rápido para os vidreiros.

O Grupo Vidrala está neste momento a ser alvo de queixas na ACT [Autoridadepara as Condições do Trabalho] por várias violações contratuais, assim como ações em tribunal para repor o que unilateralmente foi retirado sem conhecimento dos trabalhadores.

Nos aumentos referidos pelo Grupo, englobam aumentos de subsídio de turno e de prémios que nunca foram parte integrante do salário de todos os trabalhadores.

Essa afirmação recai somente para quem trabalha na zona produtiva ou fabrico, deixando mais de 70% dos trabalhadores fora dessa fórmula.

 

Respeitosamente.

Gil Ferreira

P.S. Deixo a informação que faço parte do movimento que tem vindo a informar, moldar e classificar a profissão como desgaste rápido."