Covid-19

Nos bastidores do plano de Leiria para o pós-Covid: Whatsapp, videoconferências e um clube de pensadores

1 mai 2020 12:07

Gabinete Económico e Social Pós-Pandemia nasce de uma ideia do presidente da CIMRL e desdobra-se em 10 grupos de trabalho. Primeiras medidas na próxima semana

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Estabelecer a normalidade possível e mitigar a crise
Ricardo Graça

O objectivo é antecipar o que aí vem – não perder um minuto na resposta à crise e estar na linha da frente à medida que o Governo aliviar restrições.

O desconfinamento em Leiria começou a ser preparado a 6 de Abril, durante uma entrega de viseiras no quartel dos bombeiros municipais. Gonçalo Lopes, em conversa com Rui Pedrosa e António Poças, propôs uma aliança entre a comunidade de municípios CIMRL, o Politécnico e a associação patronal Nerlei, para gerir os impactos da Covid-19 com uma perspectiva regional.

Seguiu-se uma videoconferência no feriado da sexta-feira santa, antes do fim-de-semana de Páscoa, de onde saiu a base do memorando de entendimento entre as três instituições assinado na segunda-feira seguinte, 13 de A bril, que cria o Gabinete Económico e Social Pós- Pandemia, cujo principal propósito é apresentar medidas para o relançamento da Região de Leiria. Liderado pelo empresário Jorge Santos, inclui a docente e investigadora Ana Sargento e desdobra-se em 10 grupos de trabalho.

Uma sala no Whatsapp com o nome Pós-Covid mantém ligados Gonçalo Lopes (presidente do Município de Leiria e da CIMRL – Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, constituída por 10 municípios), Rui Pedrosa (presidente do Politécnico de Leiria), António Poças (presidente da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria), Jorge Santos (administrador da Vipex e presidente da assembleia geral da Nerlei) e Ana Sargento (vice-presidente do Politécnico de Leiria e especialista em planeamento e desenvolvimento regional). Já esta semana, na segunda-feira, 27 de Abril, com recurso ao Microsoft Teams, reuniram pela segunda vez com os coordenadores dos grupos de trabalho: Saúde; Economia Social; Educação; Digital; Investigação e Desenvolvimento; Indústria; Comércio, Serviços e Turismo; Empreendedorismo; e Novas Vivências e Cultura. Faltou o Sector Primário, ainda em aberto.

Nos últimos dias, os jornais nacionais já davam o Governo e o Presidente da República como determinados a levantar o estado de emergência e decretar o nível abaixo, calamidade pública, o que veio a confirmar-se.

No conjunto dos grupos de trabalho, os convites chegaram a dezenas de pessoas, que aderiram em regime de voluntariado, a quem se pede um Plano de Medidas para o Novo Lançamento Económico e Social da Região de Leiria no Período Pós-Pandemia, com propostas de curto prazo (a aplicar em 2020) e de médio prazo.

As primeiras serão conhecidas na próxima semana e enviadas aos presidentes de câmara da CIMRL e aos dirigentes da Nerlei e do Politécnico.

Entretanto, do ODERL – Observatório para o Desenvolvimento Estratégico da Região de Leiria, que é gerido pelo Carme – Centro de Investigação Aplicada em Gestão e Economia do Politécnico de Leiria, esperam-se estatísticas, indicadores e estudos para enriquecer a reflexão.

Coração e alma

“Um grande ensinamento deste processo é que quem está preparado para agir tem de ser sensível aos problemas e tem de agir com coração e sentimento”, afirma Gonçalo Lopes, que elogia a “dinâmica local e regional” que a Covid-19 “veio despertar”. Daí a vantagem de mobilizar “a massa crítica de Leiria” na definição de recomendações para os próximos tempos.

Quem “conseguir antecipar” os desafios “consegue geri-los melhor”, o que implica “formas de decisão muito rápidas” e obriga a “saber o que queremos no curtíssimo prazo”, diz o autarca. Admite, por outro lado, que a articulação à escala da CIMRL no Gabinete Económico e Social Pós-Pandemia “pode reforçar” a identidade da Região de Leiria: “Se a Região precisa de cimento, precisa de alma, para se consolidar, esta é uma excelente oportunidade”.

O presidente da Nerlei concorda: “Se calhar daqui a meia dúzia de meses podemos chegar a ter um desígnio regional”. E lembra que “há coisas que são mais produtivas se forem pensadas ao nível da região”. António Poças afirma que o Gabinete Económico e Social Pós-Pandemia pretende potenciar tendências induzidas pela Covid-19, que se revelem úteis no futuro – por exemplo, o teletrabalho. “Nós vamos voltar o mais depressa possível a alguma normalidade, não todos, e os objectivos desde Gabinete são ajudar as empresas a retomar o trabalho e a fazer isso mais rapidamente”.

António Poças acrescenta que o modelo é “extremamente positivo” por afirmar a união. Nerlei e Politécnico têm uma longa tradição de cooperação e o presidente do Politécnico é por inerência vice-presidente da Nerlei. Já em plena reacção ao novo coronavírus, colaboraram na produção e distribuição de viseiras e na angariação de fundos para aquisição de equipamento de protecção.

De acordo com o presidente do Politécnico, Rui Pedrosa, o papel da instituição do ensino superior no Gabinete Económico e Social Pós- Pandemia é “colocar uma dimensão de conhecimento”, desde logo, através do Carme, “um centro de investigação aplicada”, mas, também, dos vários grupos de trabalho em que está presente. Para que as medidas “que possam ser implementadas na economia tenham um validação da saúde e da ciência” e os empresários “se sintam mais confortáveis” na tomada de decisão.

Rápido e em força

“É um momento diferente nas nossas vidas, em que temos de trabalhar em conjunto” e “começar rapidamente a actuar”, alerta Jorge Santos. Entre os objectivos do Gabinete Económico e Social Pós- Pandemia, que preside, estão a coesão social e o emprego, a protecção individual e colectiva, a capacitação dos serviços de saúde e educação, a valorização das actividades empresariais, as redes colaborativas e a coesão regional e a digitalização da Região de Leiria.

“É um fórum, que tenta agregar”, resume. “Vamos ter de ser muito mais solidários”. Para Jorge Santos, “é fundamental articular com os diferentes municípios e outras entidades”. Dessa força, não se pode abdicar, acredita. E realça a capacidade de falar a uma só voz, em torno de causas estruturais, que a Região de Leiria vem manifestando – a luta pela abertura da base de Monte Real a voos comerciais ou a passagem do Politécnico a Universidade, entre outros exemplos. Numa lógica de comunhão de esforços que sobrevive à substituição de lideranças.

O memorando de entendimento assinado pela CIMRL, Nerlei e Politécnico prevê também a constituição de um Grupo de Acompanhamento Económico e Social, onde participam, por iniciativa do Gabinete Económico e Social Pós-Pandemia, os organismos desconcentrados do Estado e entidades públicas e privadas representativas dos sectores económicos, sociais, educativos, culturais, de empreendedorismo e de investigação. Os convites começaram a ser feitos esta semana. Deverá reunir mensalmente para analisar a evolução do emprego, a criação de empresas, a coesão social, os meios de financiamento e a aplicação das medidas de intervenção regionais, nacionais e europeias. Ou seja, para monitorizar a dinâmica de recuperação e estimular as melhores condições.

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