Viver
Palavra de honra | Certas coisas não voltam ao sítio depois de se mexerem
Gil Jerónimo, músico e produtor
Já não há paciência… na mente da maior parte das pessoas. Eu, felizmente, ainda conservo alguma. Mas quando acabar — e vai acabar — tenham medo.
Detesto… quando alguém diz “temos de combinar um dia” e isso se transforma numa entidade abstrata que nunca mais se manifesta no calendário de ninguém.
A ideia… é voltar aos palcos o mais rápido possível. Sinto falta de me sentir embaraçado quando digo uma piada em público ou me engano numa letra de uma música.
Questiono-me se… deixo o bigode ou continuo com barba. Lá em casa não são muito fãs de pêlos na zona acima do lábio superior.
Adoro… quando encontro dinheiro no bolso de um casaco que não uso há meses e sinto que fui recompensado pelo meu próprio esquecimento.
Lembro-me tantas vezes… que isso me parece quase um privilégio. E espero que assim continue, porque o meu maior medo não é esquecer uma coisa — é deixar de me lembrar tantas vezes.
Desejo secretamente… ter um botão para pausar a vida sem consequências, só para dormir uma sesta profunda sem ansiedade associada.
Tenho saudades… de quando o meu corpo recuperava de uma noite mal dormida com um café, em vez de precisar de três dias e uma explicação médica.
O medo que tive… foi perceber que certas coisas não voltam ao sítio depois de se mexerem. Mesmo quando tudo parece igual.
Sinto vergonha alheia… quando alguém conta uma piada e começa a rir antes de acabar, deixando toda a gente numa situação social sem saída possível.
O futuro… parece ocupado, rápido e cheio de coisas. Espero que venha com intervalos para café ou uma cerveja incluídos no pacote.
Se eu encontrar… o meu “eu” de há 10 anos, vou avisá-lo para ter mais calma, paciência e menos ansiedade. "Quem espera sempre alcança" é um aviso importante.
Prometo… que vou começar a escrever mais canções em português, mesmo que isso me faça sentir exposto e despido.
Tenho orgulho… no meu pai e na minha mãe, e na família que estou a construir!