Abertura

Sem multidão nem marés vivas, também se salvam banhistas nas praias fluviais

12 set 2021 11:23

Longe do mar e do turbilhão de gente que frequenta os areais da costa, há nadadores-salvadores que trabalham com todo o sentido de responsabilidade. No meio da calmaria, há perigos escondidos que é preciso acautelar

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Tiago e João revelam as histórias de dias mais ou menos agitados nas praias fluviais
Ricardo Graça
Daniela Franco Sousa

Quem visita as Fragas de São Simão é de imediato banhado por uma enorme sensação de calmaria. Corre leve a Ribeira do Alge, criando espelhos de água transparente, emoldurados pela vegetação densa, de onde soa o chilrear dos pássaros. Não há ondas nesta praia fluvial de Figueiró dos Vinhos, pelo que o espaço é frequentado por muitas famílias, que nele reconhecem tranquilidade e segurança para libertar as crianças nas suas brincadeiras.

É neste ambiente bucólico que encontramos, sentado à sombra, Tiago Santos, o nadador-salvador de serviço. “Para que serve ter um nadador-salvador aqui?”, devem interrogar-se quase todos aqueles que chegam às fragas. Bem, a pergunta só faz sentido nos primeiros minutos. Depois de começar a subir e a percorrer trilhos sinuosos de pedras para estender as toalhas, os visitantes acabam por perceber quão absurda era a sua questão.

Natural de Alvaiázere, Tiago, de 23 anos, cumpre pelo terceiro ano consecutivo a missão de vigiar esta praia fluvial durante a época balnear, entre 1 de Julho e 15 de Setembro. Realça que as pedras são o maior perigo neste local. É preciso estar atento para evitar que as pessoas saltem das rochas para a água, sobretudo em zonas que podem oferecer risco. E é preciso acudir a quem caminha ou corre por cima delas. Com alguma frequência “há umas fracturas, escoriações, uma cabeça partida, uns ombros deslocados”.

“Numa época balnear inteira, vou duas ou três vezes à água. Por causa de crianças e até de adultos que se assustam quando nadam para uma zona de maior profundidade, de cerca de quatro metros. Por vezes não têm a noção dessa profundidade”explica Tiago. “Acaba por se chamar mais o INEM por causa de acidentes nas pedras do que por causa de complicações na água”, prossegue o nadador-salvador.

Esse processo também não é propriamente simples, expõe o vigilante. Este ano já existe um sinal, ainda que fraco, mas nas duas épocas balneares anteriores, nem sequer havia rede que permitisse telefonar ao INEM. É nessa altura que o jovem tem de recorrer aos músculos e aos pulmões para correr numa subida íngreme até conseguir sinal suficiente para chamar a emergência médica. “Este ano só aconteceu uma vez. No ano passado, tive de chamar o INEM cinco cinco vezes”, conta o nadador-salvador.

“Eu próprio também já torci um pé numa pedra. Foi no meu último dia de trabalho, no ano passado. Estava a preparar-me para dar um mergulho”, recorda o vigilante.

Amizades internacionais, arranhando o “Portinhol”

A faceta mais aborrecida de vigiar a praia fluvial são os dias de menos movimento. A companhia da cadela quebra a solidão. “O que ela mais gosta é que mandem pedras para a água. Vai buscá-las toda contente”, partilha Tiago.

A melhor parte da função é mesmo falar com as pessoas, travar ami

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