Sociedade

Semana Santa de Porto de Mós regressa às ruas após dois anos de pandemia

18 mar 2022 13:59

Município quer aliar programa cultural às comemorações religiosas para “celebrar a fé e dinamizar a economia”

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Tapete de flores é uma das principais atracções da Semana Santa
Pedro Dantas Fernandes com PCG

Após dois anos de interregno por causa da pandemia de Covid-19, as celebrações da Semana Santa de Porto de Mós regressam às ruas da vila com actividades religiosas, culturais e artísticas entre 9 e 17 de Abril.

Além do tradicional tapete de flores e da recriação da Via-Sacra com o Leirena Teatro, o programa deste ano terá momentos musicais com os músicos Amadeu de Oliveira, César Prata e Sara Vidal, o Coro e a Camerata do Orfeão de Leiria.

Iniciativas que, para o presidente do município, “acrescentam valor” a um “momento marcante na comunidade” onde espera ser possível “celebrar a fé e dinamizar a economia”

Ansioso “por voltar à normalidade do concelho”, Jorge Vala acredita que é “importante parar e pensar neste momento de dor e morte” em que compara a vivência da Semana Santa à pandemia e à guerra na Europa.

O programa foi apresentado na tarde de ontem, numa conferência de imprensa realizada no largo de São João, na vila que já enverga as bandeiras roxas da Semana Santa junto ao rio.

Assinalar “uma tradição com dois mil anos” é o principal intuito da iniciativa para o pároco local que lamenta a fragilização das comunidades paroquiais durante a pandemia e a falta de conexão dos jovens com a Igreja. José Alves citou a quebra no número de catequistas e crianças na catequese como um dos grandes impactos da pandemia.

 

Nove dias de festividades

O programa arranca na véspera de dia 9 de Abril com a construção do tapete de flores que estará exposto nesse fim-de-semana entre a Ponte Nova e a Igreja de São Pedro. No dia 10 será recriado, a partir das 15 horas, o Domingo de Ramos, no Largo do Rossio.

No dia seguinte, o músico Amadeu de Oliveira e alguns convidados interpretarão a Cantata da Ressurreição, um drama musical encenado. Descrevendo a performance como uma “via-sacra cantada”, o músico revelou que escreveu a composição quando era jovem e já a apresentou em Espanha, trazendo-a a Porto do Mós acompanhado do Coro do Casal dos Claros e Coucinheiros. “Peguei nos textos bíblicos da Via Sacra e fiz uma caminhada musical desde o nascimento de Jesus até à ressurreição”, descreve Amadeu de Oliveira, que promete também uma “surpresa” para a actuação.

No dia 12, o Coro e a Camerata do Orfeão de Leiria apresentam a Missa Brevis de Jacob Haan numa actuação que, para o director do Orfeão de Leiria, Vítor Lourenço, “se enquadra no espírito” das celebrações. Esta interpretação, que se insere nas celebrações do 40.º Festival Música em Leiria, terá lugar na Igreja de São Pedro às 21:30 horas.

No dia seguinte, no mesmo local e à mesma hora, os músicos César Prata e Sara Vidal interpretam ‘Os Cantos da Quaresma’. “Uma apropriação deste legado para que chegue aos mais novos”, afirma a cantora, salvaguardando que o objectivo não é desvirtuar, mas sim “recuperar e retractar este património musical e cultural”.

Na sexta-feira Santa, dia 15, a recriação bíblica da Via-Sacra será interpretada pelo Leirena Teatro - Companhia de Teatro de Leiria. Com início na Igreja de São Pedro, às 16 horas, a Via Sacra com 14 estações vai percorrer as ruas da vila e termina no castelo.

Encenações criadas como uma “forma de introspecção e oração”, defende o director artístico do grupo de teatro. “Faço isto para os meus, mas também para mim enquanto cristão”, declara Frédéric da Cruz.

Na noite seguinte, a partir das 23 horas, celebra-se a Vigília Pascal na Igreja de São Pedro, onde será celebrada a ressurreição de Jesus Cristo, onde serão baptizados dois adultos.

A eucaristia de Domingo de Páscoa, que encerra a Semana Santa, está programada para as 11:30 horas.

Este ano é marcado também pela retoma das visitas pascais que vão ser realizadas “com as cautelas que estão previstas” devido à pandemia e num espírito de “alegria pascal”, assume o pároco de Porto de Mós.

De 9 a 17 de Abril, o município também está a promover outros eventos, como o Festival do Cabrito e do Borrego das Serras de Aire e Candeeiros e o Festival do Folar para “criar valor” às celebrações religiosas e “dinamizar a economia”. “É uma forma de afirmar a coesão em iniciativas e é assim que se faz um concelho mais forte”, conclui o presidente do município.

 

Conflito da Ucrânia marca celebrações

Embora já se veja a luz no fundo do túnel que é a pandemia de Covid-19, a conferência de imprensa de apresentação do programa da Semana Santa não ficou indiferente à realidade actual, com o conflito na Ucrânia e a consequente crise de refugiados a ser referida.

“Nós devemos dar-lhes vida e fazer-lhes ver [aos refugiados ucranianos] que vão passar a integrar uma comunidade”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala.

“Não lhe podemos dar tristeza”, afirma o pároco local, relembrando que estes procuram “paz e tranquilidade” numa paróquia que está “de braços aberto, como sempre esteve” para apoiar quem precisa. Jorge Alves espera, com as celebrações da Semana Santa, dar algum ânimo aos refugiados ucranianos que já estão a chegar à vila.

Procuram-se figurantes para a Via-Sacra

O município de Porto de Mós procura figurantes para a Via-Sacra, realizada no âmbito da Semana Santa, com as inscrições abertas até segunda-feira. Para mais informações, contacte 912349016 ou iniciativas@municipio-portodemos.pt.