Viver
Serenata histórica em Coimbra com vozes de Leiria e Ourém
Até este ano, nunca nenhuma mulher cantara na serenata
Uma praça emocionada rendeu-se na semana passada ao momento em que o Grupo de Fados e Guitarradas Honoris Causa subiu à escadaria da Sé Velha. Foi a primeira vez, na história da academia, que duas mulheres interpretaram a canção de Coimbra. E uma delas, Tânia Fonseca, é natural da pequena aldeia de Vales, na freguesia do Cercal, concelho de Ourém. Aos 23 anos, esta finalista do curso de Psicologia sabe bem que o que aconteceu na madrugada de sexta-feira, 22 de Maio, foi o virar de uma página na História.
Até este ano, nunca nenhuma mulher cantara na serenata. E Tânia, que sempre gostou de cantar, também não sabia que lhe estava reservado esse papel, tão pouco que gostaria tanto de o interpretar. Numa sala minúscula do velho edifício da Associação Académica de Coimbra, onde mora a secção de fado, ouvem-se os últimos acordes do ensaio. Tânia Fonseca tem ainda os olhos semicerrados no último verso da “balada dos meus amores” (Luís Goes), quando João Afonso e João Alves, os guitarristas que a acompanham, fazem soar as últimas notas.
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