Editorial
Dezasseis dias para reparar uma ponte na A1, um ano para 30 metros no IC8
No Desporto, falámos com que anda à procura da próxima Ruth… perdão, do próximo Eusébio
Passaram seis meses sobre o comboio de tempestades que, entre Janeiro e Fevereiro, desfez a região.
Os telhados foram-se cobrindo, as árvores caídas foram sendo retiradas, a vida retomou o seu curso, mas algumas estradas principais continuam com bermas em risco e simples cones e fitas a acautelar o risco.
O IC8, entre a Aldeia do Vale e Vila Cã, tem uns meros trinta metros de piso aluído, mas a Infraestruturas de Portugal calcula que a reparação custe cerca de um milhão de euros e possa demorar mais seis meses.
Contas feitas, um ano para 30 metros de estrada.
O IC2, na zona da Boa Vista, também apresenta uma via encerrada e mazelas, assinaladas com cones e placas provisórias amarelas, que já podiam ser brancas de tão definitivas.
A EN243, que ruiu em Alcaria e mantém Porto de Mós separado de Mira de Aire, só verá obras no quarto trimestre deste ano, para acabarem no primeiro semestre de 2027, ano e meio depois da derrocada.
Vamos a comparações. A 11 de Fevereiro, o dique dos Casais cedeu e levou consigo parte do tabuleiro da A1, em Coimbra. A auto-estrada reabriu na totalidade a 27 de Fevereiro. Dezasseis dias, nove mil toneladas de enrocamento, 263 metros cúbicos de betão e três milhões de euros de prejuízo que a Brisa assumiu sem pedir um cêntimo ao Estado. Dezasseis dias para uma das principais vias do País contra um ano para 30 metros de IC8.
A diferença não está nas dificuldades de engenharia. A Brisa perdia portagens a cada hora de corte. No IC8, as filas e os acidentes repetem-se quase diariamente. A diferença é óbvia.
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Procedimentos e burocracias à parte, fica a pergunta que alguns autarcas da região fazem à boca pequena e que ninguém assume em público: terá a IP esgotado a provisão de verbas?
Ou será que a região deixou de ser sequer o "anão político" que o antigo secretário de Estado Feliciano Barreiras Duarte contrapunha ao "gigante económico" do nosso tecido empresarial?
Apesar de tudo, o gigante económico continua por cá, teimoso.
Nesta edição, noticiamos ainda que o Exército britânico vai voar com um drone concebido nas Caldas da Rainha, num contrato que pode chegar aos 467 milhões de euros. Em 2025, a fileira levou para o concelho quase cem milhões de euros em exportações.
Damos ainda conta do aumento do consumo de água, bem cada vez mais escasso, que obriga os municípios a reforçar captações e a atacar perdas que, em vários destes territórios, superam os 30%.
No Desporto, falámos com quem anda à procura da próxima Ruth… perdão, do próximo Eusébio. Os olheiros que percorrem os "Andorinhas" da região num trabalho paciente que, raramente, dá manchete e sem o qual não haveria manchete alguma.