Opinião

Acho ridículo

13 fev 2026 16:14

Com um Estado mais presente tudo teria sido mais rápido e eficiente

Nunca mais nenhum leiriense vai usar a palavra ridículo sem se lembrar automaticamente de Gonçalo Lopes. Naquela frase saída da exaustão genuína e visível, estava o sentimento dos leirienses: abandono. Muito haverá a falar sobre o que falhou e falha a nível local, das políticas que podiam ser muito diferentes, mas hoje estamos com ele, e como ele: cansados e incrédulos com o que ainda aqui se passa. É, de facto, ridículo!

Fico-me por três notas que a Kristin nos clarificou:
(1) Se achavam inconvenientes e radicais os bloqueios de estrada dos activistas “apanhados do clima”, o que me dizem agora de todos os pinheiros e postes de electricidade no chão? (não pensem que isto vai parar… estamos em caos climático). 

(2) Quanto menos Estado melhor? Como disse o MC Somsen: “Socialismo é quando a tua autarquia te dá telhas. Capitalismo é quando a tua apólice não cobre os cataclismos.” Capitalismo é o caos programado a que este Governo não acode de propósito. O Exército demorou uma semana, a declaração de Calamidade dois dias. A electricidade e a água? Depende de quão periférico és! Na hora H, o capitalismo traz abandono, desorganização, iniciativas erráticas, lentidão e ineficiência.

Os burlões chegam antes do socorro. Saúdo todos os voluntários e todas as (geralmente pequenas e médias) empresas que se mobilizaram para ajudar nos esforços, mas com um Estado mais presente tudo teria sido mais rápido e eficiente. Lembrem-se disso antes de voltarem a cair na ladainha do “menos Estado, menos impostos”. A solução para um governo que usa mal os nossos impostos é pôr lá outro, não acabar com o Estado.

(3) Ceder à narrativa fascista e xenófoba custa vidas, e não há trabalhos desqualificados. Por cada cidadão que perdeu a sua vida a tentar repor o seu telhado, deveria ter havido um trabalhador qualificado mobilizado. E todos sabemos que o sector da construção, de que agora tanto precisamos, muito tem penado por mão-de-obra que míngua e se precariza à medida que se dificulta a livre circulação de pessoas. Muito mais haverá a dizer sobre estes e outros pontos que a calamidade veio pôr a nu. 

Tudo isto existe, tudo isto é triste, mas nada disto é fado. São escolhas. E nós temos de escolher melhor.