Opinião

Casinha Velha: depois do Bib Gourmand, o Garfo de Prata

2 mai 2026 10:20

Num distrito onde estas distinções quase não param, o Casinha Velha levanta-se sozinho, como uma casa acesa numa estrada escura

Há restaurantes que crescem devagar, quase em silêncio, e há outros que, sem fazer barulho, começam a alinhar sinais claros de maturidade. O Casinha Velha está nesse ponto. A conquista do Garfo de Prata no Guia Boa Cama Boa Mesa não é um acaso feliz — é consequência direta de um trabalho consistente, afinado ao detalhe, onde nada parece deixado ao improviso.

Na base está uma estrutura simples, mas rara: liderança que sabe onde pisa. Ricardo conduz o projeto com critério e, mais importante, com inteligência suficiente para perceber que o talento não se controla — orienta-se.

E depois há Alina. Na cozinha, é uma força difícil de domesticar, no melhor sentido. Cozinha com intensidade, com nervo, com uma espécie de urgência que não se aprende.

Não há ali truques nem artifícios: há produto bem tratado, mão segura e uma leitura muito própria do que deve ser servido.

Foto de Ricardo Graça

O reconhecimento não surge isolado. Depois de já ter conquistado um Bib Gourmand, o Casinha Velha soma agora um prémio mais raro, mais exigente na sua natureza. O Garfo de Prata coloca-o numa liga onde a companhia é séria — restaurantes consolidados, cozinhas com percurso, casas com assinatura. Não é apenas um selo: é um enquadramento.

E é aqui que o cenário ganha peso. Num distrito onde estas distinções quase não param, o Casinha Velha levanta-se sozinho, como uma casa acesa numa estrada escura.

Não grita, não precisa. Cozinha. E cozinha bem. Está de parabéns — não pelo prémio, mas pelo caminho que o tornou inevitável.