Opinião

Massacre silencioso

21 fev 2019 00:00

Naturalmente que não tenho a pretensão de aqui apresentar uma solução.

O número de mulheres vítimas de violência doméstica voltou a estar na ordem do dia. São dados que nos deveriam envergonhar a todos. Não pela quantidade de casos ocorridos desde o início do ano, que um só já seria de mais, mas porque este massacre silencioso se repete dia após dia e ninguém nem nada o parece conseguir travar.

Muitas têm sido as explicações dadas para o fenómeno. Algumas fundamentadas no saber técnico e especializado, outras apenas no saber empírico.

Todas elas tentam apresentar soluções possíveis para travar esta desumanidade, esta coisa bárbara que é a de haver uns homens – que o são apenas de nome – capazes de humilhar, maltratar, escravizar, violar, matar as mulheres que se cruzam na sua vida.

E elas são as mães dos seus filhos, as suas próprias filhas, as esposas, as companheiras, as colegas. São elas, as vítimas, a representação de todas as mulheres que estes energúmenos, na sua virilidade flácida, se acham no direito de olhar de cima para baixo.

Naturalmente que não tenho a pretensão de aqui apresentar uma solução. Seria apenas mais uma, inútil e pouco credível, quando outros mais sabedores terão já, por estudo e ciência, refletido sobre o tema.

Assim, é tãosomente o modesto entendimento sobre uma realidade que diariamente eu e a minha equipa clínica nos confrontamos. Sempre e sempre com amargura, com um sentir de impotência, de não podermos agir direta e imediatamente face a uma cruel realidade que ultrapassa a nossa possibilidade de intervenção.

São mulheres, crianças e adolescentes que nos descrevem um clima de tortura permanente que vivem em sua casa e nas suas relações. Por vezes tão subtil que quase indizível mas sempre muito difícil de provar.

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