Opinião

Maus augúrios no horizonte?

25 nov 2016 00:00

Naquela altura, acreditava-se que a economia mundial cresceria indefinidamente, a classe média representaria, progressivamente, o maior segmento da população e aumentaria constantemente os seus rendimentos

Há uns anos recuperei a casa de família e respectivo quintal e dotei-a com alguns complementos como, por exemplo, instalações para galinhas, patos, porcos, coelhos e outra bicharada comestível, circuito próprio alternativo de água, pequena zona agrícola, pomar, forno a lenha, etc.

Quando a família me questionava para que era aquilo tudo respondia que talvez um dia precisássemos de sobreviver com o que podíamos produzir no quintal porque o futuro nunca é garantido. Era uma espécie de brincadeira familiar, mas, atendendo às minhas origens, sempre pensei “nunca fiando”.

Naquela altura, acreditava-se que a economia mundial cresceria indefinidamente, a classe média representaria, progressivamente, o maior segmento da população e aumentaria constantemente os seus rendimentos, proporcionando-lhe o acesso a casas confortáveis, a automóveis, à universidade para os filhos e, no final, a cereja no topo do bolo, ou seja, uma reforma razoável que lhe garantiria uma velhice razoável a ver os filhos com melhor vida que a dos pais.

Mas, a verdade verdadinha é que este sonho social-democrata e keynesiano do após-guerra está perto de se transformar num outro cenário, difícil e incerto, onde a classe média vai sendo aniquilada, transferindo os seus rendimentos para a classe, cada vez mais pequena, dos muito ricos e relegando-a para a pobreza, acabando com o Estado Social e os seus fundamentos relativamente a pensões, saúde e educação, entre outras práticas de bem-estar.

*Economista

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