Editorial

Mudar hábitos

25 set 2020 09:36

O número de carros em circulação em Portugal não pára de crescer.

Terminou anteontem mais uma edição da Semana Europeia da Mobilidade, sob o tema Emissões Zero, Mobilidade para Todos. Nesta terça-feira, assinalou-se também o Dia Europeu sem Carros. Iniciativas que pretendem alertar para a cada vez mais premente necessidade de trocar o veículo por outros modos de locomoção, privilegiando-se nomeadamente a chamada mobilidade suave para deslocações mais curtas.

Andar a pé ou de bicicleta é um hábito que tem vindo a crescer em Portugal, e também em Leiria, mas sobretudo como forma de lazer e de exercício físico.

O desejável seria que pudesse igualmente ser o modo de locomoção privilegiado para as deslocações entre casa e trabalho. Só que a forma como as cidades têm sido planeadas torna isso muitas vezes impossível. Apenas quem tem o privilégio de viver e trabalhar no centro pode fazê-lo.

Aos outros, que vivem a vários quilómetros do emprego, não resta grande alternativa se não usar o automóvel, já que nem sempre os horários e percursos dos transportes públicos rodoviários servem as necessidades.

Quanto ao comboio, e na maior parte do País, está longe de ser a primeira escolha, como acontece em muitos países europeus.

Veja-se a linha do Oeste. Degradada, com horários inadequados às necessidades dos potenciais utilizadores e material circulante cada vez mais velho.

O Governo autorizou agora obras, mas só de Caldas da Rainha para sul. Da cidade termal para Norte, nomeadamente até Leiria, continuará tudo igual.

O número de carros em circulação em Portugal não pára de crescer.

Os últimos dados da ACAP dão conta que Leiria é o sétimo distrito do País com mais ligeiros de passageiros, por exemplo. E se atentarmos ao número deste tipo de automóvel por passageiro, Leiria é mesmo o terceiro, com um veículo para cada 1,8 habitantes.

A par do aumento do número de veículos em circulação, cresce também a idade média do parque automóvel, que é agora de 12,8 anos. Preocupante é também o facto de os ligeiros de passageiros com mais de 20 anos serem já 20% do total.

Carros cujas emissões de CO2 são maiores, pelo que estamos a afastar-nos do objectivo de reduzir emissões.

Importa, por isso, que todos tenhamos noção da necessidade de mudar hábitos. Ir a pé sempre que possível, partilhar carro ou andar de transportes públicos são cenários que, cada vez mais, terão de fazer parte das nossas escolhas.

A bem do planeta e das gerações futuras!

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