Opinião

Música | Max Martin - o hit maker

27 mar 2026 08:00

A partir de um estúdio na Suécia, escreveu êxitos para uma lista improvável de vozes que, por si só, define três décadas de música pop

Quem é que tem mais músicas que chegaram a número um no mundo? Inevitavelmente, os nomes de Lennon ou McCartney surgem como resposta óbvia. Durante décadas, pareceram ocupar esse lugar de forma quase incontestável.

McCartney soma cerca de 32 canções número um, Lennon ronda as 26. Muitas dessas são, naturalmente, comuns aos dois. Mas atentemos num nome que, para muitos, ainda passa despercebido: Max Martin. E perguntemos de novo: quem tem mais números um, Lennon ou Max Martin?

Agora imaginemos alguém que, a partir de um estúdio na Suécia, escreveu êxitos para uma lista improvável de vozes que, por si só, define três décadas de música pop: Britney Spears, Backstreet Boys, Taylor Swift, The Weeknd, Katy Perry, Ariana Grande, Pink, Kelly Clarkson, Bon Jovi, Maroon 5, Justin Timberlake, Adele, Ed Sheeran, Sam Smith, Selena Gomez, Demi Lovato, Usher, Coldplay ou Adam Lambert, entre muitos outros. Max Martin, o maior compositor de êxitos da contemporaneidade, entrou no território onde durante décadas se pensou que os lugares do pódio estavam reservados a Lennon e McCartney. E fê-lo sem palco, sem mito visível, sem a narrativa clássica do génio, e ainda em plena actividade.

Nascido na Suécia, começou por tentar ser músico. Falhou. Ou talvez tenha simplesmente mudado de caminho. O que encontrou foi outra coisa: a possibilidade de construir canções pop com uma precisão quase cirúrgica, transformando emoção em estrutura e instinto em método. O que une esta lista de artistas que interpretam temas de Max Martin não é um som, nem uma estética. É uma forma de chegar lá: refrões que entram no segundo exacto, melodias que parecem inevitáveis, canções que captam atenção e se instalam à primeira audição. Há uma tentação de reduzir isto a fórmula. Mas fórmula implica repetição mecânica, e o que aqui existe é adaptação constante. Uma aplicação transversal a géneros, vozes e contextos distintos. Uma espécie de engenharia emocional onde tudo parece simples, mas nada é por acaso.

Talvez seja isso que o aproxima e, simultaneamente, o afasta de Lennon. Um escrevia a partir de dentro, como expressão. O outro escreve a partir de fora, como construção e arquitectura. E, no entanto, ambos chegaram ao mesmo lugar: esse ponto raro onde a canção deixa de pertencer a quem a escreveu e passa a ser de toda a gente.