Editorial

O carteiro nem sempre toca duas vezes

5 mai 2022 11:05

Já vos aconteceu sentirem-se na obrigação de pedir desculpa por um erro que prejudicou alguém que muito estimam, apesar do desacerto não ter sido culpa vossa?

Se sim, identificam-se perfeitamente com o que vamos explanar a seguir. Se não, arrisquem conceder-nos um pouco mais do vosso tempo pois o tema que nos propomos abordar é daqueles que não acontecem só aos outros. Antes pelo contrário.

Mas vamos a factos.

No sábado passado, num bairro periférico da cidade de Leiria, a vizinhança quase entrou em sobressalto ao ouvir o som da mota do carteiro percorrer as ruas sossegadas do aglomerado urbano e a parar em todas as caixas de correio para deixar correspondência.

Uma moradora, mais afoita, apressou-se a ‘esclarecer’, num tom de voz audível à distância, que o que estava a acontecer não era normal: “Não me lembro de andarem a distribuir correio ao sábado”, comentou no meio da rua, na esperança de receber em eco a anuência dos restantes residentes.

Porém, naquele momento, a preocupação dos moradores era outra: perceber que cartas o carteiro tinha deixado, a um sábado de manhã.

E que cartas eram? A grande maioria tinha como remetentes os fornecedores de água e electricidade e, no interior, as facturas para pagamento, algumas delas com os prazos já mais do que ultrapassados.

Uma situação lamentável, mas que, infelizmente, já não é novidade, pois é rara a semana em que não nos chegam reclamações dos assinantes, dando conta do atraso na recepção do JORNAL DE LEIRIA. 

De pouco tem valido protestar junto dos CTT, que como se sabe, detêm o monopólio da distribuição postal em Portugal.

Se a imprensa já enfrenta grandes dificuldades para fidelizar leitores, este crónico incumprimento dos prazos de distribuição só contribui para comprometer ainda mais o futuro de muitos títulos, em particular da imprensa regional, que tanto se esforçapara garantir informação actual e de proximidade aos seus assinantes e leitores.