Opinião
O Nobel dos Nóbeis
É também interessante perceber que o prémio raramente é uninominal. Porque a Ciência não se faz sozinha. Nem a Paz
Soubémos recentemente quais foram os laureados dos prémios Nobel deste ano. Os prémios mais conceituados do mundo. Atribuídos a pessoas cujo trabalho se revelou um grande benefício para a Humanidade. Foi assim que o seu promotor, Alfred Nobel, os designou em testamento.
Cientista sueco, de ricas famílias, e inventor da dinamite, depois de ter visto o seu próprio epitáfio no jornal, quando, por lapso, os jornalistas confundiram a morte do seu irmão com a sua.
Ao ver a nefasta associação do seu nome à sua invenção, que na altura muito contribuiu para o escalar da guerra, decidiu mudar o seu testamento.
Para que a sua fortuna se destinasse à criação de um fundo para distinguir anualmente as pessoas que mais contribuam para benefício da Humanidade nas áreas da Física, Química, Fisiologia/Medicina, Literatura e Paz. E assim é desde 1895.
Entregues todos os anos a 10 de dezembro, data do seu falecimento, em Estocolmo, Suécia, excepto o da Paz, entregue em Oslo, Noruega.
Apenas a pessoas vivas, com prémios póstumos só no infortúnio do laureado falecer entre a data do anúncio do prémio e a data da entrega. Em 1968, o Banco Central Sueco criou o prémio de Ciências Económicas em memória de Alfred Nobel, que rapidamente passou a ser considerado um prémio Nobel.
É também interessante perceber que o prémio raramente é uninominal. Porque a Ciência não se faz sozinha. Nem a Paz.
Das quase mil pessoas que ganharam um Nobel, a única que ganhou dois em duas áreas científicas diferentes foi uma mulher. Marie Sklodowska Curie. Foi também a primeira mulher a ganhá-lo.
Além dela, poucas o conseguiram. Apenas 7%...
Também a nacionalidade tem um grande viés, provável resultado das diferentes capacidades económicas e estratégias de (des)investimento na Ciência dos diferentes países, sendo os Estados Unidos da América o esmagador vencedor.
Portugal, até à data, tem dois laureados, o médico Egas Moniz, Nobel da Medicina em 1949, e o escritor José Saramago, Nobel da Literatura em 1998. Várias estatísticas existem em torno destes prémios carismáticos. A dinamite é hoje bem usada, na mineração e demolições controladas.
Também o seu componente principal, a nitroglicerina, tem utilidade médica, para controlo da angina de peito. Muito de bom é hoje feito com a invenção de Alfred Nobel. Mas mais ainda com a sua remissão pela sua invenção.
Por premiar e mostrar ao mundo o que de melhor se faz nas Ciências e Humanidades. Bem hajam aos jornalistas que se enganaram no obituário do seu irmão...