Editorial

Para trás mija a burra

6 fev 2020 11:09

Felizmente, como bem mostrámos noutros períodos da nossa história, são muitos os portugueses que têm a correr no seu sangue a inquietude, a ambição, o orgulho e o espírito de aventura, e para quem a resignação não faz parte do dicionário.

Sempre que um produto made in Portugal tem êxito no mercado, seja no nacional seja internacionalmente, é uma pequena vitória para todos quantos não se resignaram à sentença de que o nosso País estaria destinado a ser a China da Europa, agora, com o desenvolvimento do gigante asiático, talvez mais um Vietname ou uma Indonésia.

Salários baixos, produção com custo reduzido do que outros concebiam, competitividade pelo preço, era a nuvem negra que fazia sombra, e nalguns casos ainda faz, sobre o nosso País e que muitas personalidades, incluindo políticos com cargos de elevada responsabilidade, viam como uma inevitabilidade.

Foi essa ‘inevitabilidade’, mais ideológica do que real, que empurrou para fora do nosso País milhares de pessoas qualificadas à procura de melhores condições de vida, aproveitadas por outros países para criar valor, aumentar a competitividade e gerar a riqueza que por cá os defensores do ‘ajustes’ salariais não descortinavam ser possível.

Felizmente, como bem mostrámos noutros períodos da nossa história, são muitos os portugueses que têm a correr no seu sangue a inquietude, a ambição, o orgulho e o espírito de aventura, e para quem a resignação não faz parte do dicionário.

Têm sido esses, os que não aceitam o destino de braços cruzados, que têm vindo a provar que Portugal pode ser muito mais do que a fábrica barata da Europa, apostando em produtos diferenciados, investindo em inovação e investigação, incorporando design e engenharia nos produtos, pagando salários dignos para terem a trabalhar consigo os melhores.

É assim, por exemplo, que a ‘nossa’ indústria de moldes se bate com as melhores do Mundo, que o calçado português está próximo da notoriedade do italiano, que os vinhos nacionais já não são vistos como zurrapa e integram os menus dos melhores restaurantes internacionais.

Exemplos cada vez mais frequentes e que, além de elevarem a nossa auto-estima enquanto País, deixam cá mais valor e criam a riqueza necessária para, qual pescadinha de rabo na boca, haver condições para salários mais elevados.

Nesta edição, o JORNAL DE LEIRIA dá conta de mais alguns exemplos disso mesmo, de como é possível ter êxito sem ‘baixar as calças’.

São três projectos de material desportivo de Leiria, ainda numa fase inicial de vida, mas com resultados e uma notoriedade surpreendentes, fazendo antever que dentro de alguns anos poderemos estar perante empresas com outra dimensão, seja ao nível do volume de negócios seja no número de colaboradores, que, atendendo às características dos negócios, terão que ser qualificados e… bem pagos.

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