Editorial

Uns combatem o drama, outros exploram-no

10 abr 2020 20:00

Não há palavras no nosso dicionário para descrever o carácter dos que tentam tirar proveito da fase dramática em que vivemos, como se estivessem sozinhos no Mundo.

Podia-se falar dos empresários e gestores que estão a aproveitar as medidas extraordinárias de apoio às empresas quando não têm necessidade e muitas vezes de forma pouco séria, como colocar os trabalhadores em lay-off e mantê-los a trabalhar.

Também se podia referir os que aumentam os preços até ao absurdo de certos bens que escasseiam, como por exemplo os produtos de protecção, onde em certos países como Itália chegaram a ser vendidos em algumas farmácias dez vezes mais caros.

Mas falamos, neste caso, de alguns suinicultores que tentaram aproveitar a mobilização das forças de segurança no apoio ao combate à pandemia e, pensando que a fiscalização estava fragilizada, em apenas uma semana fizeram cinco descargas no Rio Lena e num seu afluente.

Estes senhores suinicultores, além de serem mais porcos do que os porcos que criam, são também uns ‘chico-espertos’ que não mereceriam mais do que ir junto com as descargas que fazem.

O tiro saiu-lhes, no entanto, pela culatra e, ao contrário do que pensavam, as forças de segurança não estavam desatentas e identificaram a origem de quatro descargas, tendo um dos suinicultores alegado não ter condições para fazer o transporte dos resíduos para destino adequado.

“Se não tem condições, não pode funcionar. Tem de encerrar imediatamente”, palavras do presidente da Câmara da Batalha, Paulo Batista Santos, que não poderiam ser mais certeiras.

Como seria de esperar, os impactos sociais da pandemia já se estão a fazer sentir junto de muitas famílias e nas franjas mais frágeis da população.

Os pedidos de ajuda às instituições de solidariedade têm aumentado, com muitos imigrantes em situação precária e trabalhadores colocados em lay-off, cuja redução de rendimento os colocou em dificuldades, a juntarem-se aos que já dependiam da nobreza de algumas almas para sobreviverem.

Como em crises anteriores, a dignidade humana e a paz social voltam a estar, em boa parte, nas mãos de instituições como a Cáritas, o Banco Alimentar, o Centro de Acolhimento, a Atlas, a Inpulsar ou a Novo Olhar, para referir apenas algumas das mais emblemáticas na região de Leiria.

Organizações que dependem grandemente do voluntariado e de doações, e que, como é conhecido, vivem também elas com grandes dificuldades, com poucos meios para tantas solicitações.

É tempo de olhar para a generosidade de quem mantém essas instituições a funcionar e seguir-lhes o exemplo, pois tudo o que se dê, seja tempo seja dinheiro, será pouco para as necessidades que se adivinham para os próximos tempos.

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