Sociedade

Conheça algumas das propostas do Plano de Mobilidade Sustentável de Leiria

30 jul 2026 18:07

Sessão pública de apresentação do documento será na terça-feira, seguindo-se a discussão pública

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Maria Anabela Silva

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) de Leiria será apresentado publicamente na terça-feira, dia 4, numa sessão a realizar às 21 horas no auditório do Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa (porta 7). Segue-se a discussão pública que decorrerá de 5 a 15 de Agosto. 

O objectivo da câmara é que o documento possa ser aprovado em reunião de executivo de 7 de Setembro e submetido à apreciação e votação da assembleia municipal na sessão de 18 de Setembro. Se os prazos definidos pela autarquia forem cumpridos, o documento entrará em vigor até ao final deste ano. 

O documento, que está a ser trabalhado há quase cinco anos, apresenta 74 propostas, a executar até 2035, que visam melhorar a mobilidade, qualificar o espaço público e qualificar o espaço público.

Trata-se de implementar “um novo modelo de mobilidade para Leiria”, que privilegie os modos pedonal e ciclavél e que aposte na organização dos bairros em “superquarteirões”, com o tráfego a fazer-se no perímetro, reservando o interior aos peões e aos utilizadores de bicicleta e à circulação automóvel estritamente necessário, pode ler-se no documento, que está disponível no site do munícipio.

Fique a conhecer algumas das propostas do PMUS de Leiria, que o JORNAL DE LEIRIA dá a conhecer na edição desta quinta-feira:

Circulação pedonal

- Ampliar e qualificar a pedonalização da cidade. A meta é passar dos actuais 1.900 metros de vias pedonais para 7.000 em 2035

- Transformar a área entre o castelo e o rio, incluindo o centro histórico, e largo em frente à câmara em zonas predominantemente pedonais, com acesso controlado do automóvel por pilaretes rebatíveis e leitura de matrículas. Pode se permitido o acesso a residentes e comerciantes, entre outros, em horários ou períodos previamente estipulados

- Libertar o centro histórico do tráfego de atravessamento

- Evolução progressiva das zonas predominantemente pedonais para zonas de emissões reduzidas e, a média prazo, zonas de zero emissões, onde só poderão circular veículos que não emitam gases poluentes

- Zonas residenciais com limite máximo de velocidade de 30 Km/h, privilegiando a circulação local em detrimento do tráfego de atravessamento e reforçando o papel do bairro

- Promover o “plano vertical da cidade”, com soluções mecanizadas (escada/tapete rolante ou elevador) nas escadas Maestro Guy Stoffel Fernandes e de Santo Estevão, no centro histórico, e das Salinas, junto à escola Rodrigues Lobo, como forma de encurtar distâncias e superar barreiras topográficas

- Implementar um parque verde circular, com uma configuração anelar em torno da cidade, que poderá articular corredores verdes, zonas ribeirinhas, áreas de recreio, horas urbanas e zonas de descanso e fruição cultural

- Revisitar o desenho urbano junto às escolas, privilegiando o peão e o ciclista, com passeios contínuos e largos, passadeiras sobre-elevadas e locais específicos para tomada e largada de passageiros (kiss & drive)

- Conceber e difundir o mapa metro-minuto pedonal, com indicação das distâncias e tempos de deslocação a pé entre os principais pontos

Circulação ciclável

- Ampliar a rede ciclável dos actuais 26 quilómetros para cerca de 130 Km em 2035. Além da criação de novas ciclovias, propõe-se a ligação entre as existentes, a maioria das quais, está descontinuada

- Criar estações e parqueamento, “seguros, visíveis, protegidos e próximos dos destinos”

- Definir critérios de dimensionamento de cicloparques para equipamentos e novos loteamentos

- Reformular o sistema de partilha de bicicletas, Biclis, com a adopção de um modelo de partilha “plena”, em detrimento do actual, em que cada veículo permanece afecto exclusivamente a um utilizador

- Reduzir o valor actual de caução da Biclis, que é de 100 euros, e pode representar um obstáculo à captação de novos utilizadores

- Criar 40 pontos de partilha na área urbana da cidade, com um mínimo de 685 bicicletas

- Constituir um fundo municipal para a comparticipação de bicicletas

- Conceber e difundir um mapa da rede ciclável do concelho

Transportes públicos

- Melhorar as condições de conforto, acessibilidade e informação das paragens, com dados em tempo real dos autocarros em circulação

- Criação de corredores bus e de eixos de ligações rápidas urbanas. Tal pode implicar alterações de sentidos de trânsito e corredores de sentido único, sendo necessário um estudo “mais aprofundado” do impacto na circulação

- Alargar o horário de funcionamento dos transportes públicos

- Criar dois interfaces intermédios ligados a parques de estacionamento dissuasores próximos do hospital e da Universidade de Leiria e Politécnico (em construção junto à rotunda D. Dinis)

- Implementar o sistema de transporte a pedido nas áreas de baixa densidade populacional. Poderá ser uma solução para os 41 aglomerados do concelho que actualmente não têm qualquer cobertura de transporte público colectivo

- Criar uma ligação rápida entre a Linha de Alta Velocidade e a Linha do Oeste, que sirva Leiria e Marinha Grande, através de metro bus (BRT - Bus Rapd Transit) ou de metro ligeiro de superfície (MLS)

- Propostos dois cenários para a ligação MLS/BRT: Cenário 1 - Inicia no novo terminal, seguindo junto à margem do rio, até convergir no traçado da linha do Oeste que será desactivado, seguindo até à estação da Marinha Grande; Cenário 2 – prevê um desvio junto à intercepção da A17 com a A18, promovendo uma ligação directa à estação da alta velocidade

Estacionamento

- Criar parque subterrâneo junto à câmara, com a pedonalização da zona à superfície

- Transformar os parques de estacionamento do mercado municipal, do jardim da Almuinha Grande e da Fonte Quente (vagas à superfície) em áreas de uso público e de convivência

- Alterar a política tarifária, agravando o preço do estacionamento na via pública. Apenas os parques dissuasores (estádio, junto ao hospital e da rotunda D. Dinis) seriam gratuitos

- Proteger o estacionamento residencial por meio de dístico para moradores

Outras propostas

- Novo troço da Avenida Francisco Sá Carneiro, tendo em vista a “protecção” da rua da Escola, que passará a ter carácter estreitamento residencial

- Recurso a passagens aéreas ou subterrâneas para atravessamento da auto-estrada e dos rios Lis e Lena

 

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