Sociedade
Morreu o actor Pedro Oliveira, fundador do grupo O Nariz
O também encenador foi um dos principais dinamizadores do festival Acaso
O actor Pedro Oliveira morreu hoje no Hospital de Santo André, em Leiria, onde estava hospitalizado.
O também encenador chegou a Leiria nos anos 80, onde se empregou no Banco de Portugal, vindo de Queluz.
Começou a colaborar com o TELA – Teatro Experimental de Leiria e, em 1995, com Vitória Condeço, fundou o colectivo O Nariz, que viria a realizar a primeira edição do reputado festival Acaso um ano depois.
No percurso do colectivo O Nariz, destaca-se igualmente o festival CriaJazz, o Encontro Internacional de Contadores de Histórias e as sessões Contos ao Pôr-do-Sol, as visitas encenadas no Mosteiro da Batalha e no Castelo de Leiria e algumas grandes produções que envolveram dezenas de actores, como Aljubarrota 1385.
Recentemente, como encenador, apresentou o monólogo Agripina, A Menor, no Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, em Espanha.
"O desaparecimento de Pedro Oliveira representa uma perda profunda para a cultura de Leiria. O seu percurso ficará para sempre ligado ao trabalho notável desenvolvido pelo grupo O Nariz. Neste momento de tristeza, apresento, em nome do Município de Leiria, as mais sentidas condolências à sua família, aos amigos e a toda a equipa d’O Nariz", afirma ao JORNAL DE LEIRIA Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria.
O director artístico de O Nariz, com sede em Leiria, recordou, em entrevista ao JORNAL DE LEIRIA, no ano passado, que a cultura na cidade era uma "desgraça total", quando chegou.
"O que é que havia? O FAOJ [Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis], que resumia-se ao Toni e pouco mais, o Teatro Experimental de Leiria, que era uma companhia relativamente pequena, o Teatro da Columbina, o Grupo de Teatro do Orfeão, já em desgaste, a desfalecer, depois havia uma associação, o Circularte. Vim de Lisboa habituado a um movimento enorme de espectáculos, cheguei aqui, havia o Teatro José Lúcio da Silva, que era um cinema. Peças de teatro, raramente passavam lá. Concertos, esquece. O primeiro concerto que vi em Leiria foi uma trabalheira para organizar: Trovante", contou.
Leiria também era "completamente" diferente do que é hoje. "Um marasmo. Da minha idade, entre os 20 e os 30 anos, eram meia dúzia de pessoas. Toda a gente ia estudar para fora, ia tudo para Lisboa, para Coimbra. Essa geração, praticamente não havia ninguém que mexesse uma palha. Equipamentos não havia, as estruturas eram apoiadas mal e porcamente."
Durante anos, a companhia trabalhou no mítico Orfeão Velho, de onde foram obrigados a sair. "O que aconteceu, aconteceu. E depois do que aconteceu, mais nada aconteceu. O edifício lá está. Qual era a pressa de acabar com aquele pólo cultural?"
Leia aqui a entrevista na íntegra: “Não há nada que substitua a força de um actor ao vivo”